Saiba o que é um IPO (Oferta Pública Inicial)

Por Redação IQ 360

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IPO é a sigla para o termo em inglês Initial Public Offering, que significa Oferta Pública Inicial. Na prática, esse processo representa a primeira emissão de ações de uma empresa na bolsa de valores. Trata-se do que o mercado chama de abertura de capital. Um IPO é, em geral, um movimento positivo para a empresa que decide ofertar suas ações publicamente e pode ser uma boa oportunidade para investidores adquirirem esses papéis. No entanto, é importante entender essa operação e saber avaliá-la corretamente.

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Por que as empresas fazem IPOs?

Empresas que decidem realizar o IPO disponibilizam parte do capital social da empresa para o mercado. Isso significa que qualquer um que compre as ações passa a ser sócio daquela companhia – por isso ela passa para a categoria de Sociedade Anônima. A abertura de capital é um mecanismo alternativo de captação de recursos, buscado por empresas que já atingiram um determinado ponto de maturação.

Não há uma regra para esse caso: nos IPOs, há empresas que já passaram por alguma rodada de investimento (por fundos ou algum outro tipo de gestor), empresas que são parte de algum grupo empresarial e até negócios familiares. Em geral, é o controlador que abre mão de uma fatia da sua participação na empresa. Parte dos recursos levantados no IPO pode ficar com o principal dono ou com os principais donos.

Além de poderem captar recursos no mercado, sem a necessidade de alavancagem, empresas que fazem um IPO aproveitam o rito transitório para se adequar às normas do mercado (principalmente as relacionadas à governança corporativa).

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O que muda com um IPO?

Há um longo caminho a ser percorrido antes da famosa cerimônia de abertura para a oferta das ações na bolsa. Especialistas (de bancos ou consultorias) são contratados para fazer a avaliação da empresa, conferir e padronizar as informações financeiras e estruturar a oferta pública de ações. Esse processo dura alguns meses, e o custo total pode ultrapassar a casa dos milhões de reais. O resultado será um documento que reúne as principais informações sobre a empresa, chamado de prospecto, e que é distribuído para o mercado antes do IPO.

É necessário obter autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fazer a oferta de ações, além de pagar uma taxa anual para a bolsa de valores em que as ações estão listadas. A partir do IPO, a vigilância sobre a empresa passa a ser maior. Todas as decisões tomadas, as mudanças que afetem direta ou indiretamente os negócios e eventuais alterações de controle devem ser devidamente informadas. A empresa estará sujeita a penalidades caso não estabeleça um canal de comunicação transparente com o mercado.

O IPO também muda a estrutura do board do negócio. Um conselho de administração passa a ser obrigatório, e a composição dependerá da distribuição das ações. Vale lembrar que o presidente do conselho é diferente do presidente da empresa – o primeiro possui responsabilidades consultivas e o segundo, deliberativas. Também podem ser indicados conselheiros independentes, mas tudo dependerá do nível adotado de governança corporativa.

Empresas listadas na bolsa de valores podem optar por diferentes segmentos de governança. Na B3 (Brasil Bolsa Balcão) há cinco níveis diferentes: Bovespa Mais, Bovespa Mais (Nível 2), Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado. O Novo Mercado é o maior patamar de governança corporativa e as empresas que se adequam para pertencer a esse nível são, em geral, mais bem vistas por investidores.

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Os maiores IPOs (no Brasil e no mundo)

IPOs de grandes empresas costumam causar um alvoroço no mercado, além de levantar bilhões e bilhões de reais. O Brasil não vê um grande IPO há alguns anos – sinal da crise econômica profunda vivida pelo País. Uma recuperação vigorosa ainda não aconteceu, então as empresas estão deixando os planos de IPO em pausa, até que o mercado mostre sinais mais otimistas.

Os cinco maiores IPOs da história do Brasil

1º: Santander Brasil (2009): R$ 13,2 bilhões

2º: BB Seguridade (2013):  R$ 11,5 bilhões

3º: Cielo (antiga Visanet, 2009): R$ 8,4 bilhões

4º: OGX (2008): R$ 6,7 bilhões

5º: Bovespa (2007): R$ 6,6 bilhões

Os cinco maiores IPOs do mundo

1º: Alibaba (2014): US$ 25 bilhões

2º: The Agricultural Bank of China (2010): US$ 22,1 bilhões

3º: Industrial & Commercial Bank of China (2006): US$ 21,9 bilhões

4º: American International Assurance (2010): US$ 20,5 bilhões

5º: General Motors (2010): US$ 20,1 bilhões

Tomando como exemplo o IPO mais bem-sucedido da história da bolsa brasileira, o do Santander, um investidor que comprou a ação na abertura das negociações por R$ 22 pode ter visto seu patrimônio dobrar, pois as ações estão cotadas a R$ 45. Mas quando o exemplo é negativo, o cenário pode ganhar contornos dramáticos: as ações da OGX, que começaram cotadas a mais de R$ 1,1 mil por papel, até chegaram a ser negociadas por R$ 2,2 mil em 2010, mas acabaram virando pó.

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O que analisar ao comprar ações em um IPO?

Os exemplos citados acima mostram que comprar ações no evento da abertura de capital pode ser um ótimo ou péssimo negócio, de acordo com os eventos sequentes ao IPO. Para saber se você tem chances de multiplicar ou perder dinheiro, é importante avaliar algumas questões importantes.

O primeiro é se aprofundar na situação da empresa e nos seus planos para o futuro. Isso deve ser feito não só pelo prospecto, mas também por relatórios de consultorias, bancos e empresas de rating. Acompanhar o noticiário recente também é importante. O investidor deve avaliar se o preço da ação é condizente com a expectativa do mercado, e principalmente se aquele papel faz sentido na sua carteira.

Por mais que a euforia do mercado seja um sinal de que o IPO pode ser promissor, não faltam casos de operações que foram um sucesso inicial, mas depois frustraram as expectativas dos investidores.

A Netshoes, que fez um IPO estrondoso na Bolsa de Nova York, em 2017, teve uma trajetória de queda vertiginosa. Na abertura de capital, as ações foram cotadas por US$ 18, chegaram a US$ 24, mas foram precificadas em apenas US$ 2 na venda da Netshoes para a varejista Magazine Luiza, no fim de abril de 2019.

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Como comprar ações em um IPO?

Em geral, é necessário fazer uma reserva do lote de ações – esse processo deve ser feito por meio da corretora ou banco em que o investidor possui conta. A partir do momento da reserva, não será mais possível desistir da operação. Parte do valor negociado pode ser exigida no momento da reserva, por isso é importante tomar a decisão após avaliar todas as variáveis.

Caso o investidor queira comprar as ações após a cerimônia do IPO, o processo passa a ser o mesmo da compra de qualquer outro papel já listado na Bolsa: basta que você tenha uma conta em uma corretora de valores e compre papéis dentro da plataforma de home broker.

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