Por que o título de capitalização é um mau negócio

Por Diana Ribeiro

A palavra capitalização voltou aos holofotes desde que o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que essa era uma das maneiras estudadas para a Reforma da Previdência. Imediatamente, houve uma associação com os títulos de capitalização, aqueles “investimentos” que todo gerente de banco tenta empurrar para o correntista.

As aspas foram colocadas de propósito, por vários motivos. O primeiro deles é que, tecnicamente, os títulos de capitalização não são investimentos e, sim, seguros – eles são regulamentados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Um exemplo clássico de um título de capitalização é a Tele Sena, que pertence à Liderança Capitalização, do Grupo Silvio Santos. O produto custa R$ 10 e devolve apenas metade desse valor 12 meses depois. Seu grande atrativo, claro, são os sorteios de carros e de uma casa.

Mas os principais emissores desses títulos são os cinco grandes bancos brasileiros, que tem participação de 78,2%. Embora seu crescimento esteja estável nos últimos anos, o mercado de capitalização movimentou pouco mais de R$ 21 bilhões em 2018.

Para embalar melhor esse produto, os bancos chamam os títulos de capitalização de “economia programada”. Isso porque, ao optar pela capitalização, uma certa quantia será retirada da sua conta bancária mensalmente, ou de uma única vez, dependendo da regra apresentada pelo gerente, e irá para o título.

Durante a vigência do título de capitalização, que tem prazo mínimo de 12 meses, de acordo com a Susep, o cliente participa de sorteios de prêmios. O dinheiro, porém, só é liberado no final do contrato.

Por todos esses motivos, o IQ não considera os títulos de capitalização como um investimento, além de ser um mau negócio. E vamos explicar todos os motivos a seguir.

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Título de capitalização não é investimento

Na realidade, os títulos de capitalização são um ótimo investimento para os bancos. Como mostra o tamanho do mercado, a capitalização traz muitos recursos financeiros para as instituições financeiras.

O discurso de economia programada, que é ideal para os indisciplinados, é uma grande furada. Primeiro porque a tecnologia permite agendar resgates mensais da sua conta corrente para aplicar em títulos que podem multiplicar o seu dinheiro – desde a poupança (que não é a melhor opção) até fundos de renda fixa de baixo risco.

Por isso, o título de capitalização é um prejuízo para o seu bolso: você adquire um bilhete de sorteio imaginando que está fazendo um investimento.

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  • Título de capitalização é um jogo!

Isso mesmo, muitos especialistas em finanças consideram o título de capitalização como uma aposta, como são os bilhetes da loteria (Mega Sena, Quina, etc).

Lembra que dissemos que o título de capitalização dá direito ao cliente participar de sorteios? A lógica é a mesma dos demais jogos, você utiliza o seu dinheiro para tentar a sorte e ganhar prêmios, correndo o risco de não ganhar nada – o que é a realidade segundo as probabilidades matemáticas.

O que difere o título de capitalização dos outros jogos é que o banco devolve parte do seu dinheiro ao final do prazo.

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  • Título de capitalização tem baixa rentabilidade – ou nenhuma!

Os títulos de capitalização rendem menos do que a poupança – que, apesar da vantagem da liquidez diária, é o que tem a pior rentabilidade.

É simples entender por quê. Ao comprar um título, o seu dinheiro é divido em 3 partes:

– Cota de sorteio: é o dinheiro que vai custear os prêmios dos sorteios;

– Cota de carregamento: destinado a pagar taxas do banco;

– Cota de capitalização: é a única parte que vai, de fato, sofrer alguma rentabilidade.

Com essa divisão, já dá para perceber que o seu dinheiro não vai render muito. E não é raro que a rentabilidade do título seja tão baixa que o resultado final seja perto de 0 – com um ajuste da TR (taxa referencial).

Isso significa que você vai retirar exatamente a mesma quantia que aplicou. E como se deve levar em consideração a inflação acumulada no período, você vai regatar menos do que aplicou, pois perdeu poder de compra com aquele dinheiro.

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  • Título de capitalização não tem liquidez

Não ter liquidez significa que não é possível resgatar a quantia aplicada imediatamente, como se faz na poupança. Todos os títulos de capitalização têm um prazo de vencimento pré-determinado. Durante esse período, você não poderá retirar o dinheiro do título. Ele ficará “preso” por, no mínimo, um ano.

Além do prazo de vencimento, há também o período de carência e algumas regras em caso de resgate antecipado do dinheiro – em que, claro, você perde muito mais. E mesmo após esse prazo de carência, existem regras para resgate antecipado em que o banco cobra uma multa do cliente.

Ou seja, você perderá dinheiro de qualquer jeito. Se precisar do dinheiro antes do tempo, perderá muito mais.

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  • O título de capitalização não tem cobertura do FGC

Ao contrário da poupança e de outros investimentos de renda fixa, os títulos de capitalização não são garantidos pelo Fundo Garantidos de Crédito (FGC). Isso significa que se a instituição financeira que emitiu o título tiver algum problema, você perderá o dinheiro que aplicou na capitalização. Lembrando que o FGC cobre até R$ 250 mil investidos em caso de falência da instituição financeira.

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