O que são fundos de investimento?

Por Redação IQ 360

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Os fundos de investimento são uma das aplicações mais populares em todo o País. Compondo a carteira de investidores iniciantes aos mais qualificados, eles marcam presença em qualquer conversa sobre como acumular capital.

Mas não são todos os investidores que entendem completamente como funciona a estrutura de um fundo. Mesmo assim, há um volume enorme de dinheiro concentrado nesses instrumentos de investimento. O certo é que é natural ficar confuso diante de tantas opções, tipos e formatos de fundos. Como se não bastasse, ainda há outras dúvidas sobre como funciona a distribuição de um fundo, quais são suas taxas, o que é o come-cotas etc.

Este artigo vai responder as principais dúvidas sobre o tema e mostrar tudo o que você precisa saber sobre fundos de investimentos:

O que são os fundos de investimento?

Um fundo de investimento é, em uma definição simples, uma carteira com uma série ativos dentro dela. O investidor, ao aplicar seu dinheiro, ajuda a captar mais recursos para essa cesta e garante, em contrapartida, uma participação, que é chamada de cota.

Todos os  fundos são controlados por administradoras, que disponibilizam as cotas e checam se os gestores estão alocando o dinheiro dos investidores conforme as regras estabelecidas. As cotas podem ser entendidas como frações que compõem o fundo, com alguns investidores possuindo partes maiores e outros menores dessa fração.

Vale destacar, também, que todo fundo de investimento precisa ser regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (ANBIMA).  

A analogia mais comum feita no mundo econômico para explicar o que é um fundo de investimento é a comparação com um condomínio: assim como cada morador tem seu apartamento, em um fundo cada investidor tem a sua cota e paga uma taxa mensal pela administração desse condomínio, aceitando também as regras do espaço.

Essa analogia também serve para ressaltar uma das principais vantagens de se investir em um fundo: assim como um morador, você não é responsável pelas maiores decisões de gestão. Essas escolhas são feitas por pessoas específicas, especializadas em lidar com o assunto. Seu papel é contribuir financeiramente para que a gestão aconteça e esperar, como retorno, que um resultado lucrativo.

Como funcionam fundos de investimento?

Como citado, os fundos de investimento são controlados por administradoras, que escolhem uma equipe, encabeçada por um gestor, para tomar as principais decisões sobre as aplicações em ativos do fundo. O papel do investidor é, sobretudo, financiar a atividade desse gestor com seu capital e esperar a rentabilidade estimada pela administradora como retorno.

Por ser uma opção ampla de investimento, contando com inúmeros tipos de fundos diferentes, é difícil definir aspectos como prazo de vencimento médio e forma de rentabilidade. De curto a longo prazo, atrelado à uma rentabilidade pré-fixada ou pós-fixada, uma coisa certa: existem ativos para todos os tipos de investidores. Vale atentar às fichas de cada título e procurar aquele que melhor se encaixa no objetivo da sua carteira.

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Quais são os tipos de fundo de investimento?

De índices de renda fixa à títulos  de renda variável, são inúmeras as opções de fundos de investimento existentes. Separamos, então, os mais populares e procurados para explicar a você. Eles são:

Fundos de Renda Fixa

Os Fundos de Renda Fixa talvez seja o formato mais conhecido dessa opção de investimento, com aplicação de pelo menos 80% em ativos ligados a indexadores tradicionais do mercado de renda fixa, como a taxa SELIC ou o CDI. Mas eles também podem ter como parâmetro algum tipo de derivativo – como os swaps de crédito.

É uma opção interessante para qualquer tipo de investidor, do iniciante ao experiente, que precisa compor sua carteira com um ativo de baixo risco – normalmente esses fundos investem em opções consideradas seguras -, como títulos públicos e privados como CDBs e LCIs. Isso torna possível, muitas vezes, prever a rentabilidade do investimento.

Fundos Multimercado

Os Fundos Multimercados são os mais abrangentes, podendo mesclar ativos de renda fixa e variável. Por isso, há diferentes metas de investimento, o que muda as expectativas de risco, a performace e a liquidez entre cada um deles.

Por ser um campo com muita liberdade, é preciso ficar atento às estratégia de cada gestor do fundo. Eles costumam atuar com grande diversidade de ativos, buscando bater a rentabilidade do seu benchmarking sem ficar preso a apenas uma classe específica.

Multimercados são fundos versáteis, que podem ser um bom adicional à sua carteira. Porém, é preciso ter em mente que eles podem ser mais impactados pelas mudanças do mercado.

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Fundos de ações

Os gestores desses fundos aplicam, ao menos, 67% da carteira em ações negociadas na B3 ou no mercado de balcão organizado – o ambiente em que são negociados títulos e papéis que não estão na bolsa de valores. Essa é a exigência mínima. Superado o valor, o dinheiro pode ser aplicado em qualquer outros ativos que interessa ao fundo, seja de renda fixa ou variável.

É um tipo mais arriscado do que os Fundos de Renda Fixa, por exemplo, mas que também pode apresentar maior rentabilidade – sobretudo a longo prazo. As políticas e estratégias, pautadas por diferentes análises técnicas,  se diferem de fundo para fundo, por isso é interessante entender a abordagem antes de investir seu dinheiro.

SAIBA+IQ: O que são fundos de ações?

Fundos Cambiais

Os Fundos Cambiais precisam ter, ao menos, 80% dos investimentos feito por seus gestores em ativos ligados direta ou indiretamente a uma moeda estrangeira, como, o cupom cambial, que é uma taxa de juros relacionada ao valor do real frente ao dólar, ou derivativos como os swaps cambiais.

No geral, são fundos com uma administração pouco movimentada, que se resume a acompanhar alguma moeda estrangeira frente à moeda nacional. Um grande exemplo são os Fundos Cambiais de Dólar. Mas vale destacar que, ainda que um fundo tenha como benchmarking a variação de uma moeda como o Dólar, isso não significa que ele vai necessariamente acompanhar a cotação.

Os 20% de investimento restante buscam aplicações em opções de renda fixa, para que haja um equilíbrio com a volatilidade cambial do fundo. Em suma, Fundos Cambiais podem ser uma interessante opção para diversificar sua carteira e podem ser bons investimentos principalmente em momentos de crise econômica.

Fundos de Investimento Imobiliário (FII)

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) são uma opção de renda variável focada em ativos do mercado imobiliário. Assim, ao investir em um FII, você está financiando um ou mais imóveis que compõem o fundo.

Normalmente, esses imóveis são prédios, condomínios, shoppings, imóveis de varejo, entre outros. Além disso, os gestores de um fundo também podem escolher investir em títulos de dívida imobiliária, como CRI e LCI.

Um ponto de atenção dos Fundos de Investimento Imobiliário é que eles não podem ser resgatados antes do fim do prazo de duração. Assim, se você precisa de seu dinheiro antes desse período, é necessário vender seu título no mercado secundário.

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Fundos de Investimento no Exterior

São opções para investidores não qualificados investirem no mercado internacional. Os Fundos de Investimento no Exterior têm, pelo menos, 40% de seu capital investido em ativos no exterior,  que podem ser de um país específico ou de vários ao mesmo tempo, em renda variável ou fixa, como ações americanas, títulos de governos, ações europeias, entre outras opções.

Esses fundos, porém, não são os mais indicados para investidores mais conservadores, pois apresentam grande volatilidade, principalmente quando não há hedge cambial – em outras palavras, alguma proteção contra oscilações e variações do câmbio. Além disso, é difícil conhecer o risco específico do investimento em razão da complexidade do mercado global, que pode impedir o investidor de ter total consciência a respeito dos riscos e perspectivas para os fundos no exterior.

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Fundos de Índices (ETFs)

Os ETFs são fundos negociados na B3 focados em índices econômicos como o Ibovespa – que acompanha a B3, a bolsa brasileira – e o S&P 500 – que se baseia no desempenho das 500 maiores companhias americanas de capital aberta na NASDAQ e nsa NYSE.

Muito populares em todo o mundo, os ETFs vêm ganhando expressividade no Brasil. Eles são opções seguras de investimento e aumentam o range de seus investimentos sem que você necessariamente deposite suas fichas em uma única empresa – afinal, você está aplicando em um setor inteiro.  

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Investir em Fundos de Investimentos é Seguro?

Fundos de Investimento são opções bastante seguras de investimento.

Registrados na CVM, todos os investimentos autorizados estão listados no site do órgão. Se existir qualquer dúvida sobre a segurança de um fundo, consultar a lista é uma maneira rápida de averiguar se ele é uma opção segura.

Além disso, os fundos de investimento também estão sob a supervisão da ANBIMA, tanto em seu momento de criação (definição e autorização sobre os parâmetros do fundo) como na fiscalização da transparência das informações divulgadas ao mercado.

Com isso, os Fundos de Investimento se tornam uma opção não só atrativa, mas também bastante segura.

Quais são as taxas e a tributação de fundos de investimento?

Taxas comuns

No geral, existem algumas taxas que são comuns a todos os fundos. São as taxas de administração e performance. Como todos os investimentos são definidos por seus gestores, essas duas taxas podem ser vistas como formas de pagar pelo serviço prestado.

A primeira, de administração, é uma taxa de remuneração pela administração e gestão do fundo. É uma maneira de compensar o gestor por estar tomando as decisões de investimento por você. É o preço pela comodidade de ser um cotista.

As taxas de administração costumam mudar bastante de um fundo para outro, já que se baseiam em fatores como o valor mínimo da aplicação e o tipo de fundo. Mas elas são parte importante na hora de entender a rentabilidade real de seu investimento, assim como a viabilidade de um fundo quando comparado com outro.

A segunda taxa, a de performance, é referente a um valor cobrado quando o fundo supera sua meta de rentabilidade. Nesses cenários, um percentual é cobrado do cotista como forma de bonificar a boa atuação dos gestores.

Come-cotas

No último dia útil de Maio e de Novembro acontece o evento que é um pesadelo para muitos investidores: a Receita Federal recolhe, de forma antecipada, o imposto de renda das aplicações em fundos de investimento. Assim, toda pessoa que investe em fundos sabe: a cada seis meses acontece o famoso “come-cotas”, porque será deduzido de suas cotas o valor da alíquota, que varia de 15% a 20%.

O come-cotas é, então, uma cobrança antecipada do imposto, diretamente da fonte. Esse recolhimento acompanha uma tabela regressiva, que tem valores diferentes de acordo com o tempo de aplicação. As tabelas são classificadas de acordo com cada tipo de fundo

Vale apontar que a cobrança atua sobre o rendimento de seu investimento e não sobre o capital investido. Em outras palavras, a cobrança acontece sobre sua rentabilidade, sem incidir sobre o quanto de dinheiro você colocou no fundo no momento do investimento.

Tributação

Para a tributação do Imposto de Renda e a cobrança do come-cotas, os Fundos de Investimento são classificadas em três categorias, que são:

 

  • Fundos de Longo Prazo

 

Fundos de investimento com a carteira de títulos com prazo médio igual ou superior a 365 dias são considerados fundos de longo prazo. Para estes tipos de fundo, a incidência do Imposto de Renda é a seguinte

IR para fundos de longo prazo
Tempo de permanênciaAlíquota
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

 

  • Fundos de Curto Prazo

 

Para fins de tributação, fundos de investimento com a carteira com tempo médio de, no máximo, 60 dias e que costuma investir em títulos públicos federais e títulos privados de baixo risco são considerados fundos de curto prazo.

Para eles, a tributação ocorre da seguinte forma:

IR para fundos de curto prazo
Tempo de permanênciaAlíquota
Até 180 dias22,5%
Acima de 180 dias20%

Fundos de Ações:

O imposto de renda sobre os fundos de investimento de ações é cobrado no momento do resgate, com base no rendimento bruto da aplicação. A alíquota é a mesma para todos os fundos.

IR para fundos de ação
Tempo de permanênciaAlíquota
Independente do prazo de aplicação15%

Além disso, os fundos de investimento também estão sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. Porém, ele somente incide em aplicações que durem menos de 30 dias. Se o seu investimento passar do período de um mês, não há cobrança do IOF.

A alíquota do imposto varia de acordo com o número de dias do início da aplicação até seu resgate, com uma oscilação de 96% a 0. Confira as alíquotas na tabela abaixo:

Tabela Regressiva de IOF
DiasIOF (%)DiasIOF (%)
1961646
2931743
3901840
4861936
5832033
6802130
7762226
8732323
9702420
10662516
11632613
12602710
1356286
1453293
1550300

Qual é a vantagem da diversificação de um fundo de investimento?

Tendo um custo baixo e uma gama enorme de opções, investir em fundos de investimento pode ser uma das melhores formas de diversificar sua carteira.

Eles têm a vantagem de aplicar o dinheiro em campos distintos, como o mercado imobiliário e o de ações, por exemplo, sem que seja preciso um grande montante ou um profundo conhecimento na área.

A gestão profissional por parte de um gestor, que está inteiramente dedicado à superação das metas estipuladas para o fundo, e a diluição de custos e riscos entre todos os investidores tornam atrativa a possibilidade de alocar parte de sua carteira em fundos de investimento.

Quais são os riscos de um fundo de investimento?

Os fundos de investimento também apresentam riscos e desvantagens.

O maior de todos os riscos é o gestor não conseguir cumprir sua meta e todos os cotistas ficarem no negativo, apresentando perdas no investimento. Fundos mais voláteis, principalmente, podem ter ganhos expressivos ou grandes perdas, e seu retorno não é possível de ser previsto.

Os fundos de investimento também apresentam custos mais altos do que o de outros ativos, que não contam com taxas de administração e de performance. Porém, esses gastos muitas vezes são compensados com um retorno maior. Mas sempre existe a chance de as despesas minarem a rentabilidade de seu investimento. Assim, é necessário mensurar o custo-benefício das cobranças dos fundos.

 

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