B3: tudo sobre a bolsa de valores do Brasil

Por Redação IQ 360

O que é a B3?

Mesmo que você ainda não seja um investidor, provavelmente já tem uma ideia do que é uma bolsa de valores. No entanto, para a maioria das pessoas, esse lugar importantíssimo para o universo dos investimentos ainda é cercado de mistérios. Entre eles, a dúvida sobre como “aqueles caras” conseguem se entender no meio de tanta gritaria, números, gráficos e letrinhas.

Se você é uma dessas pessoas, a primeira coisa que precisa saber é que isso mudou. Aquela gritaria dos operadores, que parecia uma grande confusão, não existe mais. Atualmente, a tecnologia fez com que toda negociação da bolsa de valores passasse a ser digital.

No entanto, essa não foi a única mudança pela qual a bolsa de valores passou nos últimos tempos. Foram tantas transformações nos últimos tempos que até mesmo o nome da bolsa de São Paulo, a principal do Brasil, mudou recentemente. Em março de 2008, a Bovespa uniu-se à BM&F, que era a bolsa de mercadorias e futuros e passou a ser conhecida como BM&F Bovespa. Nove anos mais tarde, em 30 de março de 2017, uma fusão entre a BM&F Bovespa e a Cetip a bolsa passou a se chamar B3 – Brasil, Bolsa e Balcão.

Sobre a B3

A B3 foi originalmente fundada em 23 de agosto de 1890 por Emílio Rangel Pestana com o nome de Bolsa Livre. O empresário oferecia serviços até então inéditos, como a compra e venda de títulos e a intermediação em operações bancárias.

Um ano depois, a bolsa acabou sendo fechada por conta das políticas econômicas adotadas na época, que geraram uma hiperinflação e um surto especulativo, Mas ela acabou sendo reaberta em 1895 com o nome de Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo.

Já em 1935, a bolsa novamente passou por reformulações e foi rebatizada como Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), como ficou mais conhecida até 2017. Ela, no entanto, não era a única a bolsa de valores brasileira. Só em meado do ano 2000 que foram integradas à Bovespa as bolsas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Brasília, Extrema Sul, Santos, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Paraná e a Bolsa Regional.

Com esse movimento, a Bovespa se torna forte no mercado de ações no País. Em 2007, a instituição realizou sua abertura de capital – o IPO (sigla em inglês de Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial). Passado nem um ano a partir dessa data, a Bovespa realiza a fusão com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), passando a ser chamada BM&F Bovespa.

Uma década depois, em março de 2017, às vésperas de comemorar cinquenta anos da criação do Índice Bovespa, o Ibovespa, a BM&F Bovespa realizou a fusão com a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), uma sociedade civil brasileira sem fins lucrativos que disponibiliza sistemas eletrônicos de custódia, registro de operações e liquidação financeira no mercado de títulos públicos e privados, sendo finalmente rebatizada para B3, sigla para Brasil, Bolsa e Balcão.

Aqui, uma linha do tempo resumida com os principais fatos que ajudam a explicar como chegamos até a B3:

  • 1890 – a primeira bolsa de valores que se tem notícia no Brasil foi criada em 1890 e se chamava Bolsa Livre. Ela, porém, não teve muito sucesso e acabou sendo fechada apenas um ano depois, após sofrer um surto especulativo (tendo negociado ações de companhias fantasmas), aumento da emissão de papel-moeda e alta da inflação.
  • 1895 – poucos anos depois, no entanto, os comerciantes perceberam a necessidade de criar uma nova bolsa e tentaram novamente. Dessa vez, em 1895, criaram a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, dando continuidade à evolução do mercado de capitais no Brasil.
  • 1917 – em paralelo à Bolsa de Fundos Públicos, empresários paulistas ligados à exportação e à indústria criaram em 1917 a Bolsa de Mercadorias de São Paulo. Na ocasião, a maioria dos contatos negociados eram agropecuários e envolviam bens como café, boi e algodão.
  • 1935 – décadas depois, a bolsa de valores decidiu mudar de endereço e estabeleceu-se no local onde está até hoje no centro de São Paulo. Com a mudança em 1934 decidiu-se também mudar o nome para Bolsa Oficial de Valores de São Paulo um ano depois.
  • 1967 – foi já na década de 1990, porém, que a bolsa de São Paulo ganhou o nome pela qual é mais conhecida até hoje: Bolsa de Valores SP (Bovespa). Na ocasião, a bolsa se tornou uma associação civil sem fins lucrativos e começaram a surgir as primeiras corretoras de valores e os primeiros operadores.
  • 1968 – para a consolidação desse novo nome algo que ajudou muito foi a criação do índice Bovespa (Ibovespa), realizado um ano depois. O indicador que era composto pelas principais empresas que vendiam ações na bolsa caiu nas graças dos investidores e passou a se tornar o principal termômetro do mercado de ações brasileiro.
  • 1984 – apesar de 1984 constar como sua data de fundação, foi só em 1986 que a Central de Custódia e de Liquidação de Títulos Privados (Cetip) passou a operar e acabou se transformando no principal local de compra e venda de títulos de renda fixa.
  • 1985 – já em julho de 1985, surge a Bolsa Mercantil & de Futuros que, em pouco tempo, se torna uma das principais bolas de negociação de commodities do mundo.
  • 1991 – após conviverem durante seis anos, em 1991, a Bolsa Mercantil & de Futuros e a Bolsa de Mercadorias de São Paulo resolvem se unir sob a sigla BM&F.
  • 2002 – em 2002, a BM&F, cada vez mais forte, adquiriu os títulos patrimoniais da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) e deu início ao seu processo de expansão.
  • 2008 – já em 8 de maio de 2008, a centralização das operações financeiras dá um importante passo no Brasil com a fusão entre Bovespa e BM&F que passam, portanto, a se chamar BM&F Bovespa.
  • 2017 – finalmente, já em 30 de março de 2017, a última das fusões entre a Cetip e a BM&F Bovespa gera a rebatizada B3 – Brasil, Bolsa e Balcão.

O que faz a B3?

A B3, assim como qualquer outra bolsa global, é um mercado onde empresas e pessoas se relacionam por meio da compra e da venda de título e ações. Quando um investidor decide vender uma ação e outro investidor tem interesse em comprá-la, a bolsa serve como ponto de encontro.

No caso da bolsa de valores brasileira, a fusão entre a BM&F Bovespa e a Cetip permitiu a criação da 5ª maior bolsa em valor de mercado do mundo e a principal da América Latina. Além disso, a nova B3 passou a reunir aquilo que as duas instituições anteriores faziam de melhor.

Enquanto a BM&F Bovespa era uma referência na área de ativos e derivativos do País e já se configurava como a maior e mais importante bolsa de valores do Brasil, a Cetip se destacava pela compra e venda de títulos em custódia e em sistemas de registros, especialmente em renda fixa.

O benefício de reunir tantos tipos de investimento distintos num só lugar é fornecer um ambiente seguro com mais agilidade e transparência para que os indivíduos e empresas escolham a melhor opção de renda entre as várias ofertadas.

Para que a fusão pudesse ocorrer, no entanto, entidades como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda, que tem o objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), uma empresa responsável pela custódia das ações e outros títulos privados no mercado financeiro, tiveram de autorizar a transação.

Só depois disso, a Cetip, até então uma associação civil sem fins lucrativos, pôde passar a integrar a B3, reunindo-se com a BM&F Bovespa, abrindo seu capital e passando a integrar o Novo Mercado – segmento em que as empresas assumem compromissos de melhores práticas de governança corporativa – com o ticker B3SA3.

Para entender ainda melhor o que é a B3, basta reunir o que fazia a BM&F Bovespa e a Cetip.

O que era a BM&F Bovespa?

Antes mesmo da fusão, a BM&F Bovespa já era a principal bolsa de valores do Brasil. Nela eram comercializados os contratos futuros de commodities, índices, taxas de juros e moedas nacional e estrangeiras. Ou seja, a BM&F Bovespa já era o principal mercado de ativos e derivativos do País.

Na BM&F Bovespa era possível negociar: ações de grandes companhias como a Petrobras, a Vale, o Itaú, por exemplo; contratos de boi gordo, café, soja, milho, por exemplo; índices ou conjuntos de ações como o próprio Ibovespa, o IBrX-50, o IBrX, o Itag, entre outros; e moedas como real, dólar, euro, libras esterlinas, etc.

O que era a Cetip?

Já na Cetip, mais de 17 mil empresas, clientes e outros participantes como corretoras de valores, bancos, fundos, concessionários, fundações e seguradoras atuavam negociando sobretudo Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

Como maior câmara de ativos privados do País, a Cetip se tornou a maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina. Mas, além desses, a central também negociava outros títulos como derivativos de balcão, Certificados de Operações Estruturadas (COE) e cotas de fundos de investimento.

Dessa forma, a associação se tornou referência na área de infraestrutura e tecnologia que permitiam o mercado funcionar, sendo que diversas operações como aplicações em ativos, créditos imobiliários e financiamento de veículos também transitavam por ela.

Fora tudo isso, a Cetip ainda contava com uma estrutura de autorregulação, que supervisiona e fiscaliza operações, atividades da própria instituição e o mercado, para verificar se tudo está em ordem. Ela também era a responsável por calcular a taxa DI-Cetip, também conhecida como CDI. Tudo isso, agora, está sob o mesmo guarda-chuva da BM&F Bovespa, na B3.

O que é comercializado na B3?

Mercado de ações

Atualmente, cerca de 340 ações estão listadas na B3. Todas elas disponibilizam suas ações para serem negociadas pela bolsa. Assim, investidores se tornam acionistas dessas organizações comprando fatias da empresa que estão disponíveis nesse mercado virtual operado pela B3.

Adquirindo partes para si, os investidores passam a acompanhar a valorização ou desvalorização de seus ativos. Para facilitar todo o processo, a B3 também divide todas essas empresas em diversos setores, como:

  • Bens Industriais
  • Consumo Cíclico
  • Consumo não Cíclico
  • Financeiro e Outros
  • Materiais Básicos
  • Petróleo, Gás e Biocombustíveis
  • Saúde
  • Tecnologia da Informação
  • Telecomunicações
  • Utilidade Pública

Dessa forma, investidores e traders interessados em apenas um setor da economia podem fazer comparativos de forma mais fácil e rápida.

Outros ativos

Além de todo o mercado de ações,também é possível encontrar na B3 outros ativos que foram reunidos com a fusão entre BM&F Bovespa e Cetip, entre eles:

  • Ativos de Renda fixa públicos e privados e cotas de fundos: o que inclui papéis do Tesouro Direto, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), fundos de investimento, entre outros.
  • Derivativos: instrumentos econômicos cujos valores finais derivam, de forma total ou parcial, dos valores de outros títulos, como moedas e juros. Na B3, são negociados os derivativos de balcão e os derivativos listados.
  • Mercados à vista, de renda variável, ouro e câmbio: nesse grupo, são realizadas transações de compra e venda de ativos (ações, ouro, câmbio, etc.), cujos valores são estabelecidos em pregão com base na oferta e na demanda.

Como investir na B3?

Apesar da fusão relativamente recente, a maneira de investir na bolsa de valores não mudou muito. Seguem existindo três maneiras de comprar uma ação ou realizar um investimento:

  • A partir dos fundos de investimento, onde existe um administrador que recebe o dinheiro de um grupo de pessoas e vende para esse investidor cotas do total de ações que esse fundo tem. Alguns exemplos de fundos de investimento são os fundos de renda fixa, fundos de ações, fundos multimercados e fundos cambiais.
  • Através dos clubes de investimento, que funcionam de uma maneira menos formal do que um fundo ao reunir um grupo de pessoas, como amigos ou parentes, que abrem um fundo coletivo junto a uma corretora.
  • De forma individual, escolhendo o papel que é mais interessante para você em determinadas situações.

Nos três casos, existe a necessidade de intermediação por parte de uma corretora ou de instituição regulamentada pela CVM. No site da bolsa, você pode conferir todas as corretoras regulamentadas por ela para fazer operações no mercado financeiro.

A partir daí, seja em grupo ou individualmente, o processo é relativamente o mesmo e consiste em:

  • escolher uma corretora de valores de sua confiança;
  • abrir uma conta na corretora escolhida;
  • transferir uma quantia em dinheiro para sua nova conta;
  • escolher o investimento desejado, de acordo com o seu perfil de investidor;
  • realizar o investimento, acompanhar sua evolução e decidir qual é o melhor momento para capitalizar;

Quais impostos e taxas são pagos para investir na B3?

Algo que muita gente esquece de fazer na hora de escolher seus investimentos é calcular quanto será pago em taxas e impostos. Ignorar esses fatores na conta inicial pode gerar uma frustração na hora de colher os resultados e acabar custando caro.

Alguns dos impostos e taxas mais comuns que você deve pagar na hora de comprar ou resgatar um título são:

  • Taxa de administração: é cobrada anualmente pela corretora ou pelos fundos. O valor é proporcional ao valor aplicado e ao período da aplicação;
  • Taxa de corretagem: cobrada a cada ordem de compra ou venda de uma ação;
  • Taxa de custódia: cobrada mensalmente pela guarda das ações. Algumas corretoras não cobram mais essa taxa ou a taxa de administração;
  • Taxas de emolumentos: é paga para a bolsa de valores e é calculada em cima do valor que envolve a compra ou venda de ações;
  • Taxa de performance: é cobrada quando o fundo de investimento supera a rentabilidade esperada;
  • Imposto de renda.

Considerando essas taxas e comissões, é importante lembrar que não existe um valor mínimo para se investir em ações na bolsa. Muitos lugares fazem aplicações a partir de R$ 100, mas para quem investe valores pequenos – até R$ 1.000 – uma dica é optar por um fundo ou clube de investimentos para aumentar o lucro obtido ou por índices que são compostos por ações de várias empresas e diluem a taxa de corretagem que seria necessária para comprar cada ação individualmente.

O que mais a B3 faz?

Se você realmente quer conhecer e começar a investir na B3, além de oferecer uma visita guiada até o prédio onde ocorria o antigo pregão (local das negociações), a bolsa também oferece uma série de cursos de educação financeira: alguns presenciais, outros online e muitos deles gratuitos.

Essa opção fez, inclusive, com que a B3 passasse a integrar o Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef). Atualmente, mais de 90 mil alunos já foram formados em cursos da B3, que são divididos em seis grandes áreas: mercado financeiro, ações, derivativos, finanças comportamentais, renda fixa e gestão de riscos.

Mais informações para interessados tanto em cursos como em visitas guiadas podem ser encontradas no site oficial da B3.

Endereços e horários da B3

Atualmente, além da sede principal no centro de São Paulo, a B3 também está presente em outros três endereços.

B3 Centro

Praça Antonio Prado, 48, Centro, São Paulo (SP)

Rua XV de Novembro, 275, Centro, São Paulo (SP)

B3 Faria Lima

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1663, Jardim Paulistano, São Paulo (SP)

B3 Alphaville

Alameda Xingu, 350, Barueri (SP)

B3 Rio de Janeiro

Praça XV de Novembro, 20, 4º andar (Cj. 406), Centro, Rio de Janeiro (RJ)

Os pregões, agora totalmente online, funcionam diariamente em dias úteis em São Paulo (SP), das 10h às 18h.