Reserva de emergência: entenda o que é e como montar a sua

Por Redação IQ 360

reserva de emergencia

A reserva de emergência é uma quantia em dinheiro que você deve guardar caso algum imprevisto ocorra no futuro. Sabe aquela situação de extrema necessidade que você não esperava que fosse acontecer? Pois é, é sempre bom ter uma reserva de emergência para esses momentos. Além disso, a reserva de emergência é uma boa maneira de começar a construir o seu patrimônio financeiro.

Nesse artigo vamos te contar como montar a sua reserva de emergência, quanto depositar nela e qual é a importância de ter uma.

Por que montar uma reserva de emergência?

No Brasil, são poucas as pessoas que conseguem poupar algo ao final do mês. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que 67% dos consumidores brasileiros não conseguem guardar nenhuma parte de seus rendimentos mensais.

A realidade é que muitos brasileiros têm toda a renda comprometida ou gastam mais do que ganham, e quando há uma situação de emergência não têm dinheiro reservado para arcar com os possíveis gastos e acabam se endividando.

Recorrer ao uso do cartão de crédito ou cheque especial podem parecer as melhores soluções em momentos que você precisa de dinheiro. Porém, os juros da dívida que você pode contrair são altíssimos e, provavelmente, você vai se arrepender se decidir usar esses serviços em momentos de aperto.

Para não ficar dependente dos juros bancários, o ideal é que você tenha uma reserva de dinheiro para situações emergenciais. Já que a reserva serve como uma boia de salvação quando acontecem imprevistos, ela deve ser fácil de ser resgatada.

Uma reserva de emergência deve ser uma aplicação financeira com baixíssimo risco e liquidez diária, ou seja, que possa ser resgatada a qualquer dia”, explica Ricardo Natali, educador financeiro e criador do canal Lucro FC.

Quanto devo ter guardado na reserva de emergência?

Em média, a sua reserva de emergência deve ser o valor do seu custo de vida ao longo 6 meses. O custo de vida é a soma de todos os seus gastos fixos e variáveis. Ou seja, para saber quanto deve ter na sua reserva de emergência você tem que saber quanto gasta por mês. Note que não é o valor do seu salário e sim do seu custo de vida. Muitas pessoas escolhem fazer uma reserva maior que 6 meses para garantir mais segurança no futuro.

“Quanto maior o tempo de inatividade na renda que a reserva suporta, melhor é, pois a pessoa tem mais tempo para se reorganizar financeiramente ou até mesmo para superar momentos de crise”, diz Fabiano Simões, assessor financeiro.

Se você ainda não faz um orçamento mensal, essa prática é importante para ter um melhor controle financeiro e, assim, conseguir montar uma reserva de emergência. Para isso, você pode utilizar uma planilha, um aplicativo ou até mesmo papel e caneta. No seu orçamento é essencial que você inclua todas as suas receitas e despesas – só assim saberá exatamente o dinheiro que entrou e o que saiu. O iq disponibiliza uma planilha completa para ficar em dia com as suas finanças:

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Caso já tenha esse controle financeiro mensal, uma boa dica é você olhar os seus últimos 6 orçamentos para saber o quanto gastou e multiplicar o custo de vida por 6.

Por exemplo: se o seu custo de vida é de R$4.000 ao mês, multiplicando por 6 temos que você precisará de R$24.000 para a sua reserva de emergência.

Talvez você ache o valor alto a princípio, mas é importante reservar esse dinheiro aos poucos ao longo dos meses. Quando atingir o objetivo, terá uma tranquilidade caso alguma emergência ocorra.

Onde investir a reserva de emergência?

Para fazer uma reserva de emergência, o ideal é que você procure investimentos de renda fixa com baixo risco e que o dinheiro possa ser resgatado a qualquer momento, ou seja, tenha liquidez diária. Algumas pessoas preferem deixar o dinheiro na poupança, porém ela não é um investimento com boa rentabilidade.

Veja algumas opções mais rentáveis que a poupança para montar sua reserva de emergência recomendadas pelos especialistas:

Tesouro SELIC

O Tesouro Direto, um programa do Tesouro Nacional para que as pessoas possam investir em papéis da dívida pública federal, tem sido o investimento mais recomendado por consultores financeiros para investidores iniciantes. Ele é uma boa alternativa à poupança, principalmente por sua rentabilidade maior.

O Tesouro Selic é um tipo de investimento do Tesouro Direto que acompanha a Selic, a taxa de juros básica da economia brasileira. Acompanhando a variação da taxa de juros básica, o Tesouro Selic traz como benefício a possibilidade de o investidor se defender da inflação, pois a aplicação sempre estará ligada à valorização ou desvalorização da moeda. Por ter liquidez diária, ele é um bom investimento para guardar sua reserva de emergência.

SAIBA+iq: O que é Tesouro Selic e como investir nele

CDBs com liquidez diária

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título privado emitido por um banco com o intuito de financiar suas atividades de crédito. É considerado um investimento muito seguro, por contar com a garantia do FGC – Fundo Garantidor de Créditos. Seu rendimento costuma estar atrelado a índices econômicos, como o CDI, a Selic ou o IPCA, no caso dos investimentos pós-fixado (em que o retorno só é conhecido no momento de retirada).

Tanto Natali, como Simões recomendam especialmente CDBs com liquidez diária que tenham como rendimento pelo menos 100% do CDI.

SAIBA+iq: CDB: o que é e como investir?

Fundos DI

Outra opção para montar sua reserva de emergência são os Fundos DI. Esses são fundos de investimento de liquidez diária que possuem, pelo menos, 95% de investimentos em títulos cuja rentabilidade está atrelada ao CDI ou à Selic. Por ser um fundo, ele é composto por diversos investidores que compram uma participação neste tipo de investimento, gerenciado por administradores.

SAIBA+iq: O que são fundos de investimento?

Contas que rendem

Outra opção para fazer sua reserva de emergência são contas que rendem, como é o caso das digitais NuConta e PagBank. Essa alternativa se mostra vantajosa para quem ainda não tem o costume de investir e deseja separar a reserva de emergência de uma maneira mais prática, já que as contas digitais são de fácil acesso.

“A rentabilidade da conta do Nubank, por exemplo, é muito similar à de títulos do Tesouro Selic, pois rendem 100% do CDI e podem ser resgatados diariamente”, diz Natali, do Lucro FC.

SAIBA+iq: NuConta: vale a pena ter uma conta do NuBank?

Devo fazer depósitos regulares na minha reserva de emergência?

Como falamos anteriormente, o ideal é que a reserva de emergência corresponda a 6 meses do seu gasto mensal. No entanto, é possível estender essa reserva até o limite com o qual você se sinta mais confortável. O educador financeiro Natali, por exemplo, recomenda que o montante da reserva seja de 6 a 12 meses do seu gasto mensal.

Para chegar neste montante final da reserva, o assessor de investimentos Fabiano Simões sugere que a pessoa direcione, todo mês, uma parcela da sua renda para a reserva de emergência, até chegar no objetivo determinado.

“A indicação é que este objetivo seja montado mensalmente, pois normalmente as pessoas não possuem capacidade alta de poupança mensal”, diz Simões. “Direcionar parte da renda para uma reserva de emergência é muito saudável – na medida em que não implique em restrições graves no orçamento mensal”.

Agora, se você já alcançou o seu objetivo de reserva de emergência, é normal ficar na dúvida se deve continuar abastecendo o porquinho. Sobre isso, o educador financeiro Ricardo Natali diz que “não é necessário fazer novos aportes depois que a reserva já foi efetivada. O recomendado é aportar em outras aplicações, que visem outros prazos e objetivos, para assim buscar maior rentabilidades.”

Quando usar o dinheiro da reserva de emergência?

Como o próprio nome diz, o dinheiro da reserva é para ser usado em casos de emergência. Situações emergenciais são, por exemplo:

  • Se você perder o emprego;
  • Se alguém da família ficar doente;
  • Se o encanamento estourar, a geladeira queimar, o carro precisar de algum reparo urgente, entre outras situações;
  • Se o País passar por uma recessão econômica;
  • Se você é um profissional autônomo ou MEI e tiver menores demandas de trabalho.

São para esses casos de imprevisto que a reserva de emergência serve, seja um problema de saúde, um dano material ou a perda de uma fonte de renda.

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