Quer comprar dólar? Veja cotações, história e onde a moeda mais importante do mundo é aceita

Por Redação IQ 360

Dólar

Seja a trabalho ou a turismo, o número de brasileiros que fazem viagens internacionais voltou a crescer nos últimos anos. São mais de 9 milhões de brasileiros desembarcando em outros países todos os anos e passando, pelo menos, uma noite em terras estrangeiras. E o destino mais procurado segue sendo os Estados Unidos.

Com diversas opções de turismo, que vão desde metrópoles cosmopolitas como Nova York e Los Angeles até os parques da Disney, em Orlando, uma coisa joga contra a viagem de brasileiros para a terra do Tio Sam: a valorização do dólar.

Se levarmos em consideração que existem diversas opções para adquirir a moeda americana e que cotações podem variar bastante de um lugar o outro, trocar real por dólar pode ser uma missão difícil para turistas – literalmente – de primeira viagem.

Por esse motivo, preparamos um artigo que explica tudo o que você precisa saber para comprar dólar, seja para viajar ou para investir.

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História do Dólar

A criação do dólar remete ao século XVIII. Na ocasião, os colonos europeus que vieram para a América ainda utilizavam diversas moedas coloniais. A necessidade de financiar a Guerra de Independência dos Estados Unidos impulsionou a criação de uma moeda única que foi nomeada de dólar, em 1776, em alusão ao termo thaler, uma moeda de prata cunhada pela primeira vez em 1518.

Após o fim da guerra, quase 10 anos depois, finalmente o Congresso Continental das 13 colônias já independentes aprovou o dólar como moeda oficial do país em 6 de julho de 1785.

A lei, porém, não foi suficiente para fazer do dólar uma moeda forte, como ela é nos dias atuais. Diferentemente da maioria dos países europeus, não havia na Constituição nenhuma lei que desse ao Estado o controle exclusivo sobre a emissão da moeda e, portanto, qualquer um podia abrir um banco, emitir moedas, sem nenhuma autorização ou regulação por parte do governo.

Dessa forma, a moeda que seguia sendo mundialmente aceita era a libra esterlina, do Reino Unido. Demorou mais de 100 anos para que o dólar passasse a ser visto com bons olhos pelos demais países. O fato que fez com que isso acontecesse talvez já seja mais conhecido de todos: a Primeira Guerra Mundial (de 1914 a 1918).

Com a maior parte do conflito ocorrendo na Europa, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para ocupar o lugar de protagonista e potência econômica global. Por meio do Federal Reserve, banco central criado em 1913, os americanos financiaram a reconstrução de vários países europeus e do Japão com a emissão e empréstimo de dólares.

A crise de 1929, no entanto, abalou novamente a posição privilegiada dos Estados Unidos no cenário global. Isso porque, com o crescimento acelerado da atividade econômica e do mercado acionário no país, houve uma entrada maciça de capitais de investimento nos Estados Unidos.

Para acabar com a especulação em Wall Street, as taxas de juros foram elevadas, mas o movimento brusco provocou a falência de diversos bancos e a consequente quebra da bolsa de valores. Para sorte dos Estados Unidos, no entanto, a Segunda Guerra Mundial (de 1939 a 1945) eclodiu e afetou diretamente o Reino Unido, que saiu da posição de credor para a de devedor internacional, o que derrubou a libra esterlina e tornou o dólar a moeda mais forte do Planeta.

O fato foi oficializado em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods. Nela, estabeleceu-se que todos os países deveriam atrelar suas moedas ao dólar, de maneira fixa, com uma variação de 1% para mais ou menos. Já o dólar, por sua vez, deveria estar relacionado ao ouro. Uma onça troy (medida usada para metais preciosos) seria o equivalente a US$ 35.

O acordo, porém, só durou até 1969, quando a grande emissão de dólares e a diminuição do estoque de ouro passaram a exercer grande pressão para o colapso da paridade. Passou-se, então, a adotar um sistema de câmbio flutuante em relação ao dólar – algo que permanece até hoje.

Desde então, as mudanças que ocorreram foram superficiais, como aquela tomada pelo presidente Richard Nixon (1913-1994) no mesmo ano: retirar de circulação as notas com valor acima de US$ 100, sendo elas as de US$ 500, US$ 1.000, US$ 5.000, US$ 10.000 e até de US$ 100.000.

Restaram as notas de US$ 1, US$ 2, US$ 5, US$ 10, US$ 20, US$ 50 e US$ 100. Cada uma delas com o rosto de um ex-presidente americano, pela ordem: George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln, Alexander Hamilton, Andrew Jackson, Ulysses S. Grant e Benjamin Franklin.

Da mesma forma, as moedas de US$ 0,01 (penny), US$ 0,05 (nickel), US$ 0,10 (dime), US$ 0,25 (quarter), US$ 0,50 (half-quarter dollar) e US$ 1 (dollar coin) também continuam em circulação.

Data da criação:6 de julho 1785
Símbolo:US$
Abreviatura:USD
Notas disponíveis:US$ 1, US$ 2, US$ 5, US$ 10, US$ 20, US$ 50 e US$ 100
Moedas disponíveis:US$ 0,1, US$ 0,05, US$ 0,10, US$ 0,25, US$ 0,50 e US$ 1

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Importância do Dólar

Como dissemos no tópico anterior, até 1944 a cotação da moeda de cada país era lastreada na quantidade de ouro que cada um tinha guardado. Porém, a partir da Conferência de Bretton Woods, o lastro de cada moeda passou a ser o dólar, o que fez com o que a moeda americana se tornasse importantíssima para o comércio e para o mercado cada vez mais globalizado.

A partir desse momento, a quantidade de dólares presentes em cada país era o que definia a variação de cada moeda local. Por esse motivo, assim como acontecia com o ouro, passou a ser interessante estocar dólares. Dessa forma, o dólar passou a compor boa parte das reservas financeiras internacionais e também de várias Bancos Centrais ao redor do mundo.

Atualmente, o dólar funciona como “âncora cambial”, ou seja, é referência para as moedas dos países basearem seu valor. Sua alta ou baixa é como um reflexo de como anda a economia dos principais países pelo mundo. Por exemplo, a economia dos países com grande peso na economia, como é o caso da China, tem influência na cotação do dólar.

No entanto, é claro que os fatores domésticos dos Estados Unidos, como o anúncio de alteração ou manutenção da taxa de juros americana, também influenciam na cotação da moeda.

Na outra ponta, a relação de cada moeda com o dólar também pode ser relativamente controlada por meio dos contratos de importação e exportação entre os países, as reservas internacionais de dólar mantidas pelo Banco Central dos respectivos países e as operações do BC para barrar a contínua valorização ou desvalorização do dólar.

Esse controle é importante porque como todo comércio global está ancorado no dólar, praticamente todo produto ou serviço que consumimos no dia a dia está ligado direta ou indiretamente à cotação da moeda americana.

Onde o dólar é aceito?

A força do dólar também está presente na extensa lista de países que resolveram utilizá-lo como moeda oficial. Nesses casos, é possível viajar para muitos destinos e não precisar converter o real para a moeda local: basta comprar dólares, o que é bem mais fácil.

Em certos locais, por sua vez, a moeda oficial é equiparada ao dólar. Isso significa que elas têm seu câmbio sempre ligado a ele, seja com a mesma cotação, metade dela ou qualquer outra fração.

Dólar como moeda oficial: Estados Unidos, Equador, El Savador, Guam, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Marshall, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Marianas do Nortes, Micronésia, Palau, Porto Rico, Samoa, Timor-Leste e Zimbabwe.

Dólar equiparado: Bahamas, Belize e Panamá.

Grande aceitação: Barbados, Camboja, Curaçao, Ilhas Cayman, Nicarágua, Saint Martin, Saint Kitts e Nevis, e Vietnã.

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Cotação do Dólar

Para quem está precisando comprar dólar para viajar, no entanto, é bom ficar atento. Apesar de serem tratados da mesma maneira, existem quatro tipos diferente de dólar: o dólar comercial, o dólar turismo, o dólar paralelo, além do dólar ptax, mais utilizado no mercado financeiro e que consiste na média aritmética das taxas de compra e venda das consultas realizadas diariamente.

Para o turista brasileiro, o mais importante para o é entender a diferença entre o dólar comercial e o dólar turismo, pois é muito comum confundir esses dois tipos de cotação. Apesar de serem a mesma moeda, a diferença entre eles ocorre porque desde 1999 o Brasil vive um sistema de câmbio flexível, ou seja, as moedas podem ser negociadas livremente por quem compra e quem vende. Como as transações comerciais realizadas eletronicamente são mais baratas do que as transações comerciais realizadas fisicamente (essas dependem da impressão do dinheiro, transporte, armazenamento, manutenção e seguro contra roubos), o preço do dólar turismo é sempre maior do que o do dólar comercial. Resumindo:

Dólar comercial

É utilizado nas importações, exportações, investimentos, compras online e também pelo governo e por instituições financeiras para realizar transações digitais.

Dólar turismo

É aquele que é comprado e vendido fisicamente e, portanto, aquele que compramos quando precisamos de cédulas ou moedas para uma viagem a um dos países que aceitam dólar. Vale lembrar que os bancos também utilizam essa cotação para calcular o valor que deverá ser pago quando um brasileiro faz compras fora do país pelo cartão de crédito, por exemplo.

Dólar paralelo

Existe ainda o dólar paralelo, que é a moeda comercializada por pessoas e empresas sem autorização dos órgãos monetários – no caso do Brasil, sem autorização do Banco Central. A cotação do dólar paralelo varia muito de local para local porque depende, sobretudo, da demanda e da oferta disponível em cada região.

No geral, porém, por se tratar de uma transação ilegal, o risco é maior e, consequentemente, o valor nem sempre é vantajoso para quem está comprando. Se considerarmos que, por não se tratar de uma transação autorizada, o viajante está sujeito a vários tipos de golpe, entre eles o de estar comprando moedas falsas. Para evitar problemas, não negocie o dólar paralelo e busque sempre comprar ou trocar valores em locais autorizados, como bancos e casas de câmbio.

Dólar Ptax

É a taxa de câmbio divulgada pelo Banco Central durante o dia, seu cálculo consiste na média aritmética das taxas de compra e venda das consultas realizadas diariamente.

Impostos e taxas

Além disso, o viajante ou investidor precisa ter em mente que, ao comprar dólar, algumas taxas e impostos também são cobrados, diminuindo ainda mais o valor após a transação.

No caso da compra do dólar em papel moeda, o principal imposto cobrado é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tem uma alíquota fixa de 1,1% sobre o valor da operação. Essa alíquota subiu em 2017, quando o Governo Federal, liderado pelo ex-presidente Michel Temer e tendo Henrique Meirelles à frente da equipe econômica, como ministro da Fazenda, decidiu aumentá-la de 0,38% para os atuais 1,1%.

De qualquer forma, se analisarmos apenas pelos viés dos impostos, sempre valerá mais a pena usar o papel moeda do que fazer compras em dólar por meio dos cartões de crédito, débito e pré-pago, assim como em cheque. Isso porque essas modalidades têm uma alíquota de imposto bem maior, de 6,38%. Além da questão da segurança de andar com muito dinheiro durante uma viagem, a Receita Federal só permite que turistas levem para o exterior o equivalente a R$ 10 mil.

Para fazer essa conta, o mais comum é os bancos utilizarem o câmbio da data de fechamento da fatura do cartão. Mas isso pode variar de uma instituição para outra. A partir de 1º de março de 2020, para gastos no cartão de crédito no exterior, a cotação do dólar usada será a do dia em que a compra foi feita obrigatoriamente e não mais aquela definida pelo banco, o que aumenta a previsibilidade de quanto o consumidor pagará na fatura.

No entanto, sempre que você for trocar o real pelo dólar em uma corretora ou casa de câmbio precisa levar em consideração que taxas administrativas serão cobradas. Essas taxas variam muito de caso para caso e de local para local, portanto, é preciso pesquisar bem para evitar pagar a mais.

Um caso típico são as casas de câmbio localizadas nos aeroportos. Muitos viajantes acabam deixando para trocar o real pelo dólar ao desembarcar no país estrangeiro. Normalmente, esses locais têm cotações desvantajosas para o viajante.

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