Precisando de euro? Veja cotações, história e onde é aceita a segunda moeda mais importante do mundo

Por Redação IQ 360

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Destino favorito de muitos brasileiros que decidem viajar para o exterior, a Europa é uma região rica em história e diversidade. No total, o Velho Continente reúne 50 países e uma população estimada em 750 milhões de pessoas, tudo isso em uma área que ocupa apenas 2% da superfície da Terra – ou seja, distâncias curtas para grandes diferenças.

O que é um enorme atrativo para turistas, porém, acabou virando um problema para o dia a dia dos próprios europeus: a falta de padronização era algo que atrapalhava bastante os negócios. Com isso em mente, os europeus resolveram criar uma moeda única que pudesse facilitar transações comerciais entre os países e a batizaram de euro – que já nasceu como a segunda moeda corrente mais utilizada no mundo, atrás apenas do dólar americano.

Como fazer o câmbio de sua moeda local para a moeda de destino é uma preocupação de todo viajante, a mudança, que passou a valer plenamente em 2002, também facilitou bastante a vida dos turistas. Desde então, o euro é o meio de pagamento de bens e serviços em 19 países, entre eles Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal e outros.

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História do euro

A ideia de criar uma moeda única para a Europa nasceu na década de 1970. Diversos economistas como Fred Arditti, Neil Dowling, Wim Duisenberg, Robert Mundell, Tommaso Padoa-Schioppa e Robert Tollison foram importantes defensores da criação da moeda única para o continente. No entanto, a ideia só começou a “sair no papel” em 1992 quando 12 países que faziam parte da Comunidade Econômica Europeia, uma das precursoras da União Europeia, assinaram o Tratado de Maastricht e começaram a estabelecer as bases da sua moeda única.

O nome oficial, no entanto, só foi adotado a partir de sugestão feita pelo belga Germann Pirloit ao presidente da comissão europeia, Jacques Santer, em 16 de dezembro de 1995. A partir daí, o já batizado euro teve seus critérios para adesão definidos pelas nações integrantes do Pacto de Estabilidade e Crescimento assinado em 1997 e foi ancorado ao ECU (sigla para European Currency Unity) em 31 de dezembro de 1998.

No dia seguinte, 1º de janeiro de 1999, o euro passou oficialmente a ser utilizado de forma não material, apenas por meio de transferências bancárias, cheques etc. Três anos depois, em 1º de janeiro de 2002, o Euro finalmente ganhou forma em notas de papel e moedas e passou a circular livremente nos 11 países originais e na Grécia, que ingressou um pouco depois na Zona do Euro, já em 2001.

Criado pouco antes do início da circulação da moeda, em 1º de junho de 1998, o Banco Central Europeu (BCE), com sede na cidade alemã de Frankfurt, passou a ser responsável pelas reservas financeiras para manter a estabilidade da moeda. Além disso, apesar dos bancos centrais dos respectivos países integrantes da Zona do Euro também poderem imprimir papel moeda, o BCE regula a quantidade em circulação e segue sendo o principal emissor do euro.

Atualmente, o euro é representado por moedas de 1, 2, 5, 10, 20, 50 cêntimos (equivalentes ao centavos de real), 1 € e 2 €, além das cédulas de 5 €, 10 €, 20 €, 50 €, 100 € e 200 €. Todas elas podem ser utilizadas na Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal, entre os países integrantes da União Europeia. Algumas nações que não fazem parte da UE, porém, também utilizam o Euro, como é o caso de Andorra, Mônaco, San Marino, Vaticano, Kosovo, Montenegro e Zimbábue.

Na data de sua criação, com a adesão dos primeiros onze países membros, o euro foi equiparado ao dólar americano: 1 € valia US$ 1,1743. Nos dois primeiros anos, porém, a cotação do Euro caiu e chegou ao seu vale em 26 de outubro de 2000, quando valia US$ 0,8252. Porém, a partir do fim de 2002, a moeda registrou valorização até atingir o pico em 18 de julho de 2008, quando chegou a valer US$ 1,6038. Atualmente, o Euro segue mais valorizado do que o dólar.

Data da criação:1 de janeiro de 1999
Símbolo:
Abreviatura:EUR
Notas disponíveis:€ 5, € 10, € 20, € 50, € 100, € 200 e € 500
Moedas disponíveis:€ 0,1, € 0,02, € 0,05, € 0,10, € 0,20, € 0,50, € 1 e € 2

Zona do Euro

Como se pode notar, nem todos os países da União Europeia aderiram ao Euro. Por esse motivo, criou-se uma distinção entre as nações europeias que utilizam a moeda única e aquelas que não utilizam. À região equivalente ao conjunto dos 19 países que tem o euro como moeda oficial foi dado o nome de Zona do Euro.

Reunindo grandes economias como Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal, a moeda é atualmente utilizada por cerca de 350 milhões de europeus e mais 240 milhões de pessoas fora da Europa, seja como moeda corrente ou como forma de ancorar o câmbio. Dessa forma, estima-se que exista em circulação mais de 1,2 trilhão de euros, o que faz da Zona do Euro a segunda maior economia do mundo, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI). E, por falar em fundo, o euro também representa a segunda maior reserva financeira global.

Porém, entre os países europeus que não fazem parte da Zona do Euro, encontram-se alguns importantes como Inglaterra, Suécia e Dinamarca. Esses países não toparam trocar a libra esterlina, a coroa sueca e a coroa dinamarquesa, respectivamente, pela moeda única do continente. Os ingleses, inclusive, estão em processo de separação da União Europeia como um todo depois que um plebiscito definiu o chamado Brexit (acrônimo para British exit, ou seja, saída da Inglaterra).

Apesar de nunca ter feito parte da Zona do Euro, a decisão da Inglaterra de deixar a União Europeia deu estímulo a forças nacionalistas em vários outros países europeus e alavancou um movimento de debandada da Zona do Euro. Dessa forma, o fluxo de globalização e integração das economias locais, que predominava desde a formação do bloco europeu, começou a ser revertido em várias partes do mundo.

No entanto, o Euro parece estar resistindo bem às pressões. A própria dificuldade que o Reino Unido tem encontrado para assinar um acordo de separação da União Europeia tem funcionado como antídoto natural para os movimentos separatistas. Além disso, é claro que sem ter o mesmo peso na balança, a Bulgária vai no caminho contrário e, já sendo membro da União Europeia desde 2007, negocia a adoção do Euro como moeda local e consequente ingresso na Zona do Euro.

Outras moedas europeias

De qualquer forma, ao todo, existem 26 tipos diferentes de moeda entre os 50 países europeus, o que já dá uma boa ajuda, mas ainda é um grande empecilho para a integração total das economias locais.

A força do Euro, porém, faz com que a moeda seja aceita extra-oficialmente na maioria dos países europeus que não fazem parte da Zona do Euro. Isso acontece porque, exceção feita à libra esterlina, moeda inglesa, todas as demais estão mais desvalorizadas do que a moeda comum do Continente.

Veja abaixo a tabela das moedas e quanto cada uma delas vale em relação à cotação do euro:

País:Moeda:1 € vale:
AlbâniaLek Albanês124,76 L
AlemanhaEuro1 €
AndorraEuro1 €
ArmêniaDram547,06 Dram
ÁustriaEuro1 €
AzerbaijãoManat1,92 Manat
BielorrússiaRublo Bielorrusso2,41 Br
BélgicaEuro1 €
Bósnia-HerzegovinaMarco Convertível1,95 KM
BulgáriaLev1,96 лв
República TchecaCoroa Tcheca25,54 Kč
ChipreEuro1 €
CroáciaKuna croata7,43 kn
DinamarcaCoroa Dinamarquesa7,42 kr
EslováquiaEuro1 €
EslovêniaEuro1 €
EspanhaEuro1 €
EstôniaEuro1 €
FinlândiaEuro1 €
FrançaEuro1 €
GréciaEuro1 €
GeórgiaLari3.02 ლ
HungriaFlorim Húngaro319,80 Ft
República da IrlandaEuro1 €
IslândiaCoroa Islandesa134,00 kr
ItáliaEuro1 €
LetôniaEuro1 €
LiechtensteinFranco Suíço1,11 Fr
LituâniaEuro1 €
LuxemburgoEuro1 €
República da MacedôniaDinar Macedônio61,61 ден
MaltaEuro1 €
MoldáviaLeu19,55 L
MônacoEuro1 €
MontenegroEuro1 €
NoruegaCoroa Norueguesa9,63 kr
Países BaixosEuro1 €
PolôniaZlóti Polaco4,29 zł
PortugalEuro1 €
Reino UnidoLibra Esterlina0,85 £
RomêniaLeu Romeno4,75 lei
RússiaRublo Russo73,30 руб.
TurquiaLira Turca 6,32 liras
San MarinoEuro1 €
SérviaDinar Sérvio117,96 din.
SuéciaCoroa Sueca10,41 kr
SuíçaFranco Suíço1,12 Fr
UcrâniaGrívnia Ucraniana30,25 ₴
VaticanoEuro1 €

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Cotação do Euro

O Euro tem variado bastante ao longo de 2019. Depois de abrir o ano com uma cotação na casa dos R$ 4,30, a moeda europeia viu seu valor flutuar entre R$ 4,17, no dia 31 de janeiro, e R$ 4,49, em 27 de março. Para saber sempre quanto o Euro está valendo naquele dia, basta consultar o site oficial do Banco Central do Brasil.

Para quem está precisando comprar euros para viajar, no entanto, é bom ficar atento. Apesar de serem tratados da mesma maneira, existem dois tipos diferente de euro (assim como qualquer outra moeda): o euro comercial e o euro turismo. Em alguns casos, a diferença de valores não chega a ser muito grande. Mas, no caso do euro, a cotação turismo pode ser até 8% mais elevada do que a cotação comercial, o que acaba surpreendendo muitos viajantes.

Essa diferença ocorre porque desde 1999 o Brasil vive um sistema de câmbio flexível, ou seja, as moedas podem ser negociadas livremente por quem compra e quem vende. Como as transações comerciais realizadas eletronicamente são mais baratas do que as transações comerciais realizadas fisicamente (essas dependem da impressão do dinheiro, transporte, armazenamento, manutenção e seguro contra roubos), o preço do euro turismo é sempre maior do que o do euro comercial. Resumindo:

Euro comercial

É utilizado nas importações, exportações, investimentos, compras online e também pelo governo e por instituições financeiras para realizar transações digitais.

Euro turismo

É aquele que é comprado e vendido fisicamente e, portanto, aquele que compramos quando precisamos de cédulas ou moedas para uma viagem à Zona do Euro. Vale lembrar, no entanto, que os bancos também utilizam essa cotação para calcular o valor que deverá ser pago quando um brasileiro faz compras fora do país pelo cartão de crédito, por exemplo.

Euro paralelo

Existe ainda o euro paralelo, que é a moeda comercializada por pessoas e empresas sem autorização dos órgãos monetários – no caso do Brasil, sem autorização do Banco Central. A cotação do euro paralelo varia muito de local para local porque depende, sobretudo, da demanda e da oferta disponível em cada região.

No geral, porém, por se tratar de uma transação ilegal, o risco é maior e, consequentemente, o valor nem sempre é vantajoso para quem está comprando. Se considerarmos que, por não se tratar de uma transação autorizada, o viajante está sujeito a vários tipos de golpe, entre eles o de estar comprando moedas falsas. Portanto, para evitar problemas, não negocie o euro paralelo e busque sempre comprar ou trocar valores em locais autorizados, como bancos e casas de câmbio.

Impostos e taxas

Além disso, o viajante ou investidor precisa ter em mente que, ao comprar euros, algumas taxas e impostos também são cobrados, diminuindo ainda mais o valor após a transação.

No caso da compra do euro em papel moeda, o principal imposto cobrado é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tem uma alíquota fixa de 1,1% sobre o valor da operação. Essa alíquota subiu em 2017, quando o Governo Federal, liderado pelo ex-presidente Michel Temer e tendo Henrique Meirelles à frente da equipe econômica, como ministro da Fazenda, decidiu aumentá-la de 0,38% para os atuais 1,1%.

De qualquer forma, se analisarmos apenas pelos viés dos impostos, sempre valerá mais a pena usar o papel moeda do que fazer compras em euro por meio dos cartões de crédito, débito e pré-pago, assim como em cheque. Isso porque essas modalidades têm uma alíquota de imposto bem maior, de 6,38%. Além da questão da segurança de andar com muito dinheiro durante uma viagem, a Receita Federal só permite que turistas levem para o exterior o equivalente a R$ 10 mil.

Fora isso, os gastos feitos em euro no cartão de crédito são, primeiro, convertidos para o dólar e só depois para reais. Para fazer essa conta, o mais comum é os bancos utilizarem o câmbio da data de fechamento da fatura do cartão, mas isso pode variar de uma instituição para outra. A partir de 1º de março de 2020, no entanto, para gastos no cartão de crédito no exterior, a cotação do dólar usada será a do dia em que a compra foi feita obrigatoriamente e não mais aquela definida pelo banco, o que aumenta a previsibilidade de quanto o consumidor pagará na fatura.

No entanto, sempre que você for trocar o real pelo euro em uma corretora ou casa de câmbio, precisa levar em consideração que taxas administrativas serão cobradas. Essas taxas variam muito de caso para caso e de local para local, portanto, é preciso pesquisar bem para evitar pagar mais desnecessariamente.

Um caso típico são as casas de câmbio localizadas nos aeroportos. Muitos viajantes acabam deixando para trocar o real pelo euro ao desembarcar no país estrangeiro. Normalmente, esses locais têm cotações desvantajosas para o viajante.

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