Conheça 10 situações que podem ocorrer ao ter de acionar o seguro e o que fazer em cada caso

Por Redação IQ 360

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Ao contratar um seguro auto, o cliente espera a garantia de ter qualquer sinistro indenizado pela seguradora. Entretanto, há situações específicas que não são cobertas. E essas situações nem sempre são claras para o segurado.

Conversamos com seguradoras e especialistas para entender as principais situações que podem ocorrer ao ter de acionar o seguro e o que fazer em cada cenário.

Mas, antes, vale recapitular o conceito de sinistro e explicar o processo de perícia.

O que é sinistro?

Basicamente, sinistro é qualquer dano de origem externa causado ao veículo sem intervenção proposital do condutor, explica José Varanda, coordenador e professor da Escola Nacional de Seguros (ENS).

Alguns exemplos são: colisão, capotagem, tombamento, queda de barreira, inundação, alagamento, roubo, incêndio, furto qualificado e explosão. Se o dano e as circunstâncias em que o sinistro ocorreu estiverem previstas no contrato do seguro, a seguradora indeniza o condutor por aquele prejuízo.

Como é feita a perícia

Todo sinistro é analisado por um perito da seguradora que vai avaliar se o dano realmente tem causa externa ou foi fraudado pelo motorista. “Os peritos são muito bons. Eles possuem técnicas elaboradas e avançadas para identificar fraudes”, diz Varanda.

Segundo Frank Nelson Ohi, diretor de sinistros da seguradora HDI, as fraudes mais comuns são falso aviso de roubo ou furto, colisão ocorrida antes do contrato de seguro, empréstimo de seguro a terceiro ou informações inverídicas no contrato para baratear o seguro. Se os peritos conseguirem provar que houve uma fraude, a seguradora pode negar a indenização.

“Todo mundo tem direito a receber, desde que seja honesto”, afirma Acacio Queiroz, ex-presidente da Chubb Seguros e sócio-fundador da consultoria Virelid.

Abaixo listamos 10 situações que podem ocorrer no acionamento do seguro e o que fazer em cada caso.

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1) Tive um sinistro e não sei se preciso fazer B.O.

Não necessariamente. A obrigatoriedade do boletim de ocorrência é apenas para casos de roubo, furto ou acidentes com vítimas. Nessas situações, o motorista deve buscar a delegacia mais próxima e registrar o ocorrido o mais rápido possível.

2) O Custo do sinistro ficou abaixo do valor da franquia

Ao adquirir um seguro, você pode escolher entre um contrato com franquia ou com indenização integral. Se optar pela primeira opção – que é a mais popular na indústria – e sofrer um sinistro, será preciso antes pagar o valor da franquia à seguradora para que, só depois, ela arque com os demais custos do conserto do veículo.

Se o sinistro tiver um valor abaixo da franquia contratada, aquele dano não será ressarcido. “No entanto, há produtos que permitem a contratação da isenção da primeira franquia para segurados do sexo feminino”, diz Eduardo Dal Ri, vice-presidente de auto e massificados da SulAmérica.

A exceção vale para a indenização de terceiros. Normalmente, quando há um acidente, as pessoas envolvidas são indenizadas pela seguradora do condutor que estava errado. A indenização a terceiros não tem franquia – assim como quando ocorre perda total do veículo.

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3) Cometi uma infração de trânsito

Se o dano causado ao veículo aconteceu por consequência de uma infração do condutor, não há cobertura da seguradora. Alguns exemplos comuns são: passar no semáforo vermelho, fazer ultrapassagens em locais proibidos ou dirigir em alta velocidade.

“Nesses casos, a seguradora vai negar a cobertura com base em uma cláusula que diz que você estaria infringindo as disposições legais. Mas se você está dirigindo, se distrai e bate numa árvore, a seguradora não cria problemas”, afirma Varanda.

Estava embriagado

A mesma regra vale para condutores que estavam embriagados na hora do acidente. “Se você causa um acidente quando está embriagado, não só seu carro não tem cobertura como também o terceiro a quem você causou o dano, morte ou lesão não recebe nada do seguro”, diz o professor da ENS.

Nem sempre há como a seguradora saber qual era o estado de sobriedade do condutor, principalmente se não foi feito um B.O. Mas vale lembrar que dirigir embriagado, além de crime, é uma ameaça à vida do condutor e de tantas outras pessoas.

“Nesse caso, vale destacar o serviço de Motorista Amigo da seguradora, que permite ao cliente chamar um motorista da SulAmérica para ser conduzido com segurança até o endereço de residência”, diz Dal Ri. Outras seguradoras, como a Porto Seguro e o Itaú Seguros, também oferecem o mesmo tipo de serviço opcional.

Fui negligente com meu veículo

Segundo Frank Nelson Ohi, da HDI, é considerado negligente o condutor que age com desleixo, descuido, falta de zelo ou irresponsabilidade ao assumir um compromisso.

“No caso do seguro, uma das obrigações do segurado no contrato é manter o veículo em bom estado de conservação e segurança durante a vigência do mesmo”, diz o Ohi, da HDI.

Se o motorista sofre um acidente por conta de um pneu careca ou se tem um problema no motor que teria sido detectado pela revisão anual, por exemplo, ele não recebe o prêmio do seguro.

“O consumidor que possui seguro deve zelar pela segurança de seu veículo, não expondo ele a riscos desnecessários”, afirma Dal Ri, da SulAmérica.

4) Eu estava errado, mas não cometi infração

Pode acontecer, por exemplo, de o condutor estar errado num acidente de trânsito ou causar um dano não intencional ao veículo, simplesmente por distração. Nesses casos, a seguradora não costuma cria problemas para pagar a indenização do sinistro ou a reparação dos danos.

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5) Eu estava certo mas o outro condutor não quer arcar com o prejuízo

Se você estava certo no acidente e o outro condutor não quer arcar com seus custos ou não tem seguro, a sua seguradora vai cobrir o prejuízo. “Se você não é o culpado, a seguradora cobre seu dano e vai atrás da outra seguradora para receber de volta o que gastou”, diz Queiroz, da Virelid. Nesse caso, não há cobrança de franquia do segurado.

6) Estacionei o carro na rua e aconteceu um sinistro

Outra dúvida muito comum dos condutores é relativa a carros que estavam estacionados na rua no momento do sinistro, seja ele um caso de roubo, alagamento ou acidente.

“Se você disse à seguradora que tem garagem em casa e deixou o carro na rua, mesmo que tenha sido só uma paradinha, a seguradora vai negar a cobertura”, afirma Varanda.

Ele explica que a seguradora dá descontos aos condutores que guardam os carros em garagem, pois isso reduz o risco de sinistros. Portanto, se o segurado estaciona o veículo na rua ele está descumprindo o contrato, o que dá a seguradora o direito de negar a indenização.

E se eu estava fora de casa?

A regra da garagem vale apenas para quando os condutores e os veículos estão em casa. Se você estiver em qualquer outro lugar e precisar estacionar o veículo na rua ou em um estacionamento e ocorrer um sinistro, a seguradora dificilmente negará a indenização.

Dal Ri destaca que, independentemente de onde esteja, o condutor deve estacionar em local permitido, trancar o carro corretamente e guardar as chaves em local seguro. Do contrário, pode ser que a seguradora negue a indenização justificando infração ou negligência do condutor.

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7) Tive danos causados por desastres naturais

A maior parte das seguradoras cobre danos causados por desastres naturais, como queda de árvores, chuvas de granizo, desabamentos de encostas ou alagamentos.

Contudo, é importante ficar atento à sinalização de trânsito. Se você estacionar o veículo em uma área onde há placas alertando sobre riscos de alagamento e, de fato, a rua alagar, é possível que a seguradora não queira pagar os danos causados ao seu veículo.

8) Tive objetos roubados dentro do meu veículo

Na maior parte dos casos, as seguradoras não cobrem o prejuízo de objetos que foram roubados de dentro do carro ou roubados junto ao carro. Para ter certeza, é indicado ler a apólice com atenção ou perguntar para o seu corretor de seguro. Se não houver cobertura, o melhor é não deixar objetos de valor no veículo.

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9) Meu carro sofreu um sinistro e não era eu que estava dirigindo

Se o seguro está no nome de uma pessoa, mas outro condutor estava dirigindo o veículo no momento do acidente, pode ser que a seguradora não cubra os danos.

“A companhia de seguros calcula o prêmio do seguro pelo perfil do condutor. Se o perfil do segurado é pior que o de quem está dirigindo, não tem problema. Se é melhor, pode ser que ela negue a indenização”, diz Varanda, da ENS.

Contudo, se o condutor que não está segurado pegar o carro em uma emergência, que envolva risco de vida, ou dirigir o veículo apenas eventualmente, pode ser que a seguradora não veja problemas. “No entanto, esta condução deverá realmente ser eventual para que a cobertura securitária não seja prejudicada”, afirma Dal Ri.

Para não correr riscos, é recomendado que o cliente indique à sua corretora que o veículo pode ser conduzido por motoristas adicionais, explica Queiroz, da consultoria Virelid. “Mas essa cobertura extra aumenta o preço do seguro. Por isso a maioria das pessoas prefere indicar apenas um condutor.”

Na maioria das seguradoras, por exemplo, condutores na faixa etária de risco (18-25) que não têm cobertura de motorista eventual não são indenizados.

10) Unir dois sinistros na mesma indenização

O seguro cobre apenas os danos que ocorreram sem intervalo de tempo, ou seja, que foram decorrentes de um único sinistro. Para cobrir prejuízos de uma data passada, é preciso pagar outra franquia, explicam os especialistas. Um exemplo: o motorista raspou o para-choque enquanto manobrava na garagem, mas não fez o conserto. Ao acionar o seguro para um sinistro maior, quer que esse problema anterior também seja resolvido.

“A cobertura é referente a cada evento. Para eventos distintos, deve-se elaborar o aviso individual de cada sinistro ocorrido, observando o valor da franquia”, diz Ohi, da HDI.

Para não haver dúvidas ou problemas na hora de pedir a indenização do seu seguro, é importante ler o contrato com atenção e esclarecer todas as dúvidas com o seu corretor. Também é essencial estar com os pagamentos do seguro em dia, para não correr o risco de ficar sem a cobertura.

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