Fundos passivos de investimento estão em alta no mundo

Por Marcio Kroehn

Risco, custos e falta de confiança podem ser os motivos que ajudam a explicar por que os investidores estão recusando a gestão ativa

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Num cenário em que os juros globais continuam baixos, os investidores deveriam sair em busca de mais rentabilidade para as suas aplicações financeiras. Mas não é isso o que tem acontecido. Pesquisa da consultoria McKinsey, divulgada no 10º Congresso Anbima de Fundos de Investimento, mostra o cenário oposto. O volume anual de investimentos passivos em fundos multimercados, de renda fixa e de ações cresceu em média 20%, 9% e 14%, respectivamente, entre 2009 e 2018. A expansão ficou acima da registrada pelas gestões ativas. Os ETFs, que são fundos que replicam indicadores listados nas bolsas de valores, registraram um aumento de R$ 700 bilhões para R$ 5 trilhões no mundo, no mesmo período de comparação. A projeção da consultoria é que os robôs investidores terão uma expansão de 46% até 2020.

Um dos motivos para esse comportamento é conjuntural. Aumentou a desconfiança de que a curva do crescimento global começou a virar. Em abril, Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgou um relatório que usava as expressões “momento delicado” e “muitos riscos” para se referir à “confluência de fatores afetando as principais economias”. As preocupações começam na desaceleração da China, passam pelas tensões comerciais encabeçadas pelos Estados Unidos e chegam as perspectivas menores de crescimento em países da América Latina. É bom lembrar que os juros de curto prazo do Tesouro americano estão mais atrativos do que os de longo prazo, algo que não acontecia desde 2007. Sem confiança, é natural que os investidores fiquem mais conservadores para não serem pegos desprotegidos.

Outra discussão global são os custos cobrados pelas gestoras para fazer a alocação dos investimentos. Para virar esse jogo, a corretora americana Charles Schwab decidiu, há alguns anos, cortar taxas e deixar os preços baixos para atrair investidores. A decisão valia tanto para assessoria humana ou por meio de robôs. Em abril, o WSJ mostrou como a empresa fez desses serviços uma commodity e provocou o restante da indústria financeira dos EUA a repensar o seu modelo de negócio. Na reportagem, um cliente mostra o seu descontentamento com a sua antiga corretora:

“O S&P registrou alta de 22%, você ganhou para mim 8% e eu paguei para você 1,2%. Foi meio bobo ter de pagar todo esse dinheiro”.

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Robôs e custos de investimento no Brasil

Apesar de o Brasil viver um momento completamente distinto, com a migração do dinheiro dos bancos para plataformas independentes de investimento (elas representam atualmente 10% do volume de recursos e devem chegar a 15% em 2022, de acordo com a McKinsey), os custos também são uma discussão crescente. Cada vez mais aumenta o questionamento sobre a fórmula 2+20 da maioria dos fundos do mercado, ou seja, 2% de taxa de administração mais 20% sobre o resultado que exceder o benchmark. Garantido com uma gorda taxa de administração, o gestor ainda abocanha um prêmio se ultrapassar o indicador que é parâmetro para a performance dele. Nessas condições, é legítimo que o investidor escolha um fundo passivo.

Lançado em janeiro de 2018, a Warren se tornou recentemente uma corretora. A plataforma de investimentos, que aloca os recursos do cliente conforme os objetivos, utiliza a inteligência dos robôs para fazer o equilíbrio da carteira e alcançar a rentabilidade projetada. O custo para o cliente é fixo em 0,65% ao ano. Além disso, a Warren devolve para o investidor qualquer tipo de rebate – prática em que os fundos remuneram os alocadores.

“Qualquer rebate é devolvido para o cliente. Queremos criar valor e dar transparência”, diz Marcelo Maisonnave, sócio da Warren e um dos fundadores da XP Investimentos. “O brasileiro prefere um serviço que tenha alguma dose de gestão. Resolvemos isso com a utilização da inteligência para gerar uma melhor opção de portfólio.” Esse é apenas o primeiro passo em um longo debate sobre a importância de uma gestão ativa ou passiva e sobre quais taxas o consumidor topa pagar.

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