Pague à vista as contas de janeiro. Se puder

Por Fernanda Santos

As famílias costumam gastar mais do que o habitual no último mês do ano e complicam as finanças no início do ano

A regra do jogo é planejamento e pagar à vista tudo o que puder, desde que você tenha dinheiro para isso

Dezembro foi só alegria: Natal, família reunida, festas e presentes. Mas o novo ano já começou e janeiro é um mês de reflexão com as finanças pessoais. As contas de todo início de ano começam a vencer. Entre elas estão as matrículas e materiais escolares, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

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Não é de estranhar que tanta gente comece o ano endividado. As famílias costumam gastar mais do que o habitual no último mês do ano. Esse comportamento somado às contas de janeiro levam a situação pode ficar bem pior. Por isso, a regra do jogo é planejamento.

Anote todas as despesas

A primeira indicação é colocar todas as contas no papel para saber exatamente quanto ficarão esses gastos a mais de janeiro.

“Não é gostoso chegar no começo do ano e perceber que queria ganhar melhor, que o dinheiro não vai dar. Mas tem que enfrentar a situação de verdade. Listar tudo aquilo que você precisa pagar”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Tenho dinheiro, pago à vista?

Se você tem dinheiro guardado para pagar essas despesas de janeiro, a melhor opção é quitar tudo à vista. Assim você se livra logo do problema e começa o novo ano com tranquilidade.

Mas não vale a pena ficar sem nenhum dinheiro. Sem uma reserva, na primeira emergência como perda de emprego, acidente ou problema de saúde, você vai acabar se endividando.

“A maioria dos nossos usuários não tem uma reserva de emergência de 3 meses. Se é o seu caso, o mais indicado é dividir o pagamento e guardar uma parte do dinheiro para imprevistos”, diz Márcio Reis, diretor de dados e pesquisas econômicas do aplicativo Guiabolso.

Não tenho dinheiro, o que fazer?

Mas se você se descuidou e não tem dinheiro para pagar essas contas à vista, parcelar é uma possibilidade – desde que tenha cuidado com os juros e com o acúmulo de parcelas. O ideal é comprometer, no máximo, 30% da renda com dívidas, incluindo o cartão de crédito.

Outra recomendação muito importante é nunca pegar empréstimos para conseguir pagar as contas todas de uma vez. Isso porque os juros cobrados pelos bancos serão bem maiores que o desconto para quitar à vista.

“Você nunca deve pegar empréstimo para pagar à vista. Se você não conseguir pagar à vista, parcele. Não tem problema. Só é bom se controlar com despesas”, afirma Marcela, do SPC.

Tenho dinheiro, mas estou no limite. Melhor parcelar?

Se você tem dinheiro para pagar as contas, mas não quer gastar tudo de uma vez, existe a opção de investir esse recurso e parcelar algumas das despesas.

Os especialistas dizem que a pergunta a fazer, neste caso, é a seguinte: vou ganhar mais juros no investimento ou mais desconto pagando à vista? Se a resposta for sim, tudo bem parcelar, desde que invista o dinheiro que sobrou – não vale usá-lo para fazer compras.

  • IPTU

O IPTU é um imposto municipal cobrado da maioria das pessoas que detêm um imóvel. Os contribuintes têm duas opções: pagar em parcela única com desconto ou parcelar em até 10 vezes ao longo do ano.

A maioria das cidades dá descontos de cerca de 4% para os pagamentos à vista. Mas há alguns casos especiais, como Salvador, que está oferecendo abatimentos de até 10% para quem utiliza energia solar em casa.

Portanto, o indicado é se informar sobre as condições oferecidas pelo seu município e obter o máximo de vantagem possível no pagamento.

Se o desconto for baixo (como os 4%) e as parcelas forem muitas (como em 10 vezes), o IPTU é uma despesa que vale mais a pena parcelar.

Parcelando, ele ficaria 0,4% mais caro por mês. Esse valor é praticamente o rendimento da poupança hoje. Lembrando que outros investimentos de renda fixa (como o CDB, que todo banco oferece) podem render bem mais.

  • IPVA

O IPVA é um imposto estadual cobrado de quem tem veículos terrestres. Essa é uma despesa que, geralmente, não vale a pena parcelar. Isso porque o desconto para pagar à vista costuma ser baixo (em média 3%), mas o prazo de parcelamento é curto também – de 3 meses, normalmente.

Se você deixar o dinheiro na poupança por 3 meses, em vez de pagar o IPVA, o rendimento total não vai chegar a 3%. Portanto, pagar de uma vez é o mais recomendado.

Lembrando que cada Estado tem suas regras de desconto e é preciso ficar atento. Em Minas Gerais, por exemplo, quem pagou os tributos de veículos em dia nos dois últimos anos ganha mais 3% de desconto no IPVA, além dos 3% concedidos para o pagamento à vista.

Mais uma vez vale fazer contas e ver se os juros a serem ganhos em um investimento superam o desconto do pagamento à vista.

  • Material escolar

O material escolar é uma despesa que pode ficar alta, ainda mais se você tiver mais de um filho. Se não tem dinheiro para pagar tudo à vista, pode pensar em parcelar essa despesa, desde que consiga fugir dos juros.

A parte boa é que, diferentemente dos impostos que já estão embutidos no valor do produto, o preço do material escolar pode ser negociado.

“Dá para pesquisar na internet, nas lojas físicas e juntar vários pais para comprar em conjunto o material escolar no atacado. Há uma série de caminhos neste caso”, diz Bruno Chacon, que é planejador financeiro da Dsop, uma entidade voltada à educação financeira.

  • Matrículas

As matrículas também podem ser negociadas direto com os colégios. Vale explicar sua situação financeira e tentar condições melhores de pagamento, lembrando que também é um interesse da escola manter os alunos matriculados.

“A escola está precisando dos alunos e muitos pais estão endividados. Então, compensa para ela negociar a matrícula. Dependendo do caso, os pais optam até em tirar a criança da escola”, afirma Chacon.

Se a escola não oferecer isenção da matrícula, outra opção é pedir para diluir essas parcelas ao longo do ano. Um pequeno valor a mais na mensalidade pode não pesar tanto quanto pagar tudo de uma vez em janeiro.

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