Como não ser um dos 8 milhões de brasileiros vítimas de golpes financeiros

Por Maria Teresa Lazarini

41% dos golpes correspondem a cartão de crédito clonado

Veja o que é possível fazer para não ser parte dessa terrível estatística

As fraudes financeiras atingiram 7,8 milhões de brasileiros entre setembro de 2017 e setembro de 2018. O alto número de vítimas que tiveram o cartão clonado ou sofreram outro tipo de golpe ligou o sinal de alerta das empresas que trabalham com o crédito. Principalmente porque esse período de compras de Natal é o momento preferido dos golpistas financeiros para agir. “A pesquisa do SPC mostrou muitos casos de fraude com o cartão de crédito, roubo de identidade e boleto falsificado”, afirma Flávio Borges, superintendente de finanças do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

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O caso mais comum registrado pela instituição foi a clonagem do cartão de crédito, que representou 41% dos golpes financeiros aplicados. Em seguida está o uso indevido de dados para a contratação de empréstimo, que soma 12% dos casos de fraudes. E com 10% das ocorrências estão os golpes a partir de pagamento de boletos falsos (veja o infográfico abaixo).

Clonagem de cartão de crédito

Existe um motivo de a clonagem de cartão de crédito ser o golpe financeiro mais comum: são diversos os meios de ser uma vítima. Veja a seguir quais são os principais tipos de fraudes de clonagem, como eles funcionam e o que fazer para não cair nos golpes:

Golpe do motoboy

Como acontece: o consumidor recebe uma ligação dizendo que uma compra suspeita foi feita com o cartão de crédito e que ele deve digitar o número que aparece no verso do cartão de crédito, que é o da central de atendimento da instituição financeira. Mas, ao digitar o número, a ligação está retida e é redirecionada a outro golpista, que pede para a vítima dizer a senha do cartão, quebrar o cartão ao meio, mas manter o chip intacto. Por fim, o atendente golpista diz que um motoboy vai buscar o cartão para análise. Com o cartão em mãos, os ladrões têm a senha, os dados e o chip intacto do cartão para usar.

Como evitar:

  • Nunca informar a sua senha do cartão a ninguém, mesmo que a pessoa diga que é funcionária do seu banco;
  • As instituições financeiras nunca pedem confirmação de senha. Lembre-se, ela é pessoal e intransferível;
  • Se você receber uma ligação estranha como essa, com alguém dizendo ser do seu banco, desligue. Certifique-se de que a ligação foi encerrada. Em seguida, ligue diretamente para a central de atendimento do seu banco. Os números estão no verso do seu cartão ou no site da empresa. Explique o que aconteceu para que a situação seja analisada;
  • Saiba, também, que os bancos nunca vão pedir para retirar e analisar o seu cartão. Quando você tiver de quebrar um cartão, picote bem o plástico – até o chip

Troca do cartão de crédito

Como acontece: em estabelecimentos cheios e tumultuados, alguns golpistas dizem que a transação não foi autorizada na primeira tentativa ou que a maquininha está sem sinal. Aí é que está o golpe: essa primeira máquina é usada apenas para memorizar a senha do cliente. Após uma segunda tentativa, o golpista devolve um cartão semelhante ao da vítima, que muitas vezes não percebe a troca.

Como evitar:

  • Fique sempre de olho no seu cartão quando ele estiver nas mãos de outra pessoa;
  • Quando ele for entregue a você, confira se o seu nome está impresso no plástico;
  • Nunca deixe de confirmar se o cartão é realmente o seu.

Foto do cartão de crédito

Como acontece: quando o cliente entrega o cartão em um estabelecimento, o funcionário diz que vai buscar a maquininha de pagamento e leva o cartão com ele, para um lugar fora da vista do consumidor. Com o cartão em mãos, ele tira uma foto da frente e do verso do plástico para registrar os dados do cliente.

Como evitar:

  • Nunca deixe o funcionário sair do seu campo de visão com o seu cartão;
  • Em casos como esse, peça que ele deixe o cartão com você enquanto busca a maquininha;
  • Sempre fique de olho na manipulação do seu cartão durante as transações e desconfie de pedidos inesperados.

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    Fonte: SPC Brasil com elaboração do IQ Empréstimos

Uso indevido de dados para empréstimos ou abertura de crediário

Existem diversas maneiras de perder o controle de nossas informações. Nossos dados e documentos são frequentemente expostos a riscos, seja em compras online em sites inseguros ou até mesmo em assaltos e roubos de carteira.

Com acesso aos dados pessoais ou documentos das vítimas, os golpistas aplicam um golpe muito comum: o do empréstimo em nome das vítimas ou na abertura de crediário (carnê). Isso acontece tanto na contratação online como pessoalmente. Com as informações da vítima em mãos, o criminoso consegue ter acesso ao dinheiro em espécie ou por transferência bancária. Com isso, a vítima tem de pagar as parcelas do empréstimo ou do carnê, além de sofrer com uma possível negativação do CPF por causa da inadimplência.

Como evitar:

O executivo Flávio Borges, superintendente de finanças do SPC, explica que uma das principais medidas para não cair em roubo de identidade é não colocar os dados pessoais em sites perigosos – veja quais são nesta lista do Procon. Outra dica valiosa para não aumentar o número de 1,7 milhão de vítimas que caíram neste tipo de golpe (tanto de empréstimo como no do crediário) é não fazer o login na internet do celular ou do computador em redes públicas de WiFi. Segundo o superintendente de finanças do SPC, usar a internet pública é uma medida que deve ser evitada em qualquer circunstância, uma vez que sempre há risco de invasão e roubo de informações.

Borges também ressalta que, no caso da perda ou roubo de documentos físicos, a vítima deve fazer um boletim de ocorrência (B.O.) na delegacia de polícia. Em seguida, o executivo recomenda que a pessoa compareça a um balcão do SPC Brasil para fazer um alerta à instituição de que os documentos estão fora do controle da pessoa.

A partir do momento em que a vítima faz esse alerta ao SPC, um aviso é colocado junto ao cadastro dela na instituição de crédito. O alerta é essencial para que a vítima não seja prejudicada novamente no futuro pelos golpistas. Em todas as consultas feitas em seu nome aparecerá esse aviso de que os documentos estão sendo utilizados de maneira criminosa. Com o alerta do SPC, o concessor de crédito terá de fazer uma checagem adicional da identidade do consumidor, como a verificação biométrica, para ter certeza sobre quem está pedindo o empréstimo.

+ Saiba mais: O que é o golpe de parcela antecipada de empréstimo?

Pagamento de boletos falsos

O golpe do pagamento de boletos falsos pegou 780 mil vítimas no período de um ano, até setembro de 2018. Ele representa 10% das fraudes financeiras registradas pelo SPC Brasil. Aplicado principalmente via internet, os golpistas enviam um e-mail falso para a vítima informando que ela deve pagar alguma quantia, seja por conta de supostas parcelas em atraso ou por um pagamento que não foi processado pelo banco.

Como evitar:

Para não cair no golpe dos boletos falsos, basta ficar atento a e-mails suspeitos na sua caixa de entrada. Antes de abrir um e-mail, veja o endereço eletrônico de quem enviou. Caso o seu banco se comunique via e-mail, haverá o nome da instituição logo após o símbolo de “@”, como cobranca@santander.com.

Se você perceber que o e-mail vem com provedores como Gmail, Hotmail ou Yahoo, não acredite na mensagem. Ela provavelmente é golpe. Além disso, a conta para a qual deve ser transferida a quantia num boleto falso é geralmente a do golpista e não da instituição financeira. Por isso, verifique sempre os dados da transferência antes de pagar um boleto. Na dúvida, apague e ligue imediatamente para a instituição financeira.

Caí em um golpe. E agora?

A primeira reação – e a mais natural – de quem que caiu num golpe é o desespero. Mas é necessário tomar algumas providências para que não sejam feitos mais estragos no futuro. Em qualquer golpe de crédito, a vítima sempre deve procurar as instituições financeiras para dizer que ela não é responsável pela movimentação financeira em questão.

No caso do cartão de crédito, procure o próprio banco ou o emissor do cartão. Nunca ligue para a maquininha ou a bandeira, que elas não são responsáveis pelas suas informações. Avisando a instituição do ocorrido, a vítima deixa claro que ela não foi autora daquela transação, facilitando um futuro estorno.

O mesmo funciona no caso de golpes de empréstimos ou crediários. Entretanto, nesse tipo de movimentação, é mais fácil provar que ocorreu uma fraude. A contratação de empréstimo ou a abertura de um carnê geralmente são registrados por gravação telefônica, assinatura ou biometria facial. “Se a pessoa conseguir provar que não foi ela quem executou a transação, ela normalmente é anulada”, diz Flávio Borges, superintendente de finanças do SPC Brasil. “Caso ocorra a negativação, ela também é anulada.” O especialista reforça que a chave para prevenir consequências dos golpes é negar o débito. Mas, caso isso não surta efeito, ela pode procurar as entidades de defesa do consumidor ou a Justiça.

“A vítima de golpe financeiro pode procurar por sites de reclamação, como o Reclame aqui, ou o Juizado Especial Civil (JEC), onde a pessoa pode ir sem o auxílio de um advogado e fazer uma reclamação formal”, afirma Borges.

O importante, sempre, é ficar alerta!

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