“A melhor alternativa seria cada um cuidar da sua própria aposentadoria”, diz planejador financeiro

Por Fernanda Santos

Depois de quase 3 anos de recessão, o brasileiro começa 2019 mais confiante. Nessa hora, educação financeira é essencial

Além de cortar gastos e poupar dinheiro, é importante investir pensando no futuro, diz Jan Karsten, presidente da Planejar

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Após quase 3 anos de recessão, os brasileiros começam 2019 mais otimistas. É hora de aprender mais sobre finanças pessoais

Depois de quase 3 anos de recessão econômica, os brasileiros começaram 2019 mais otimistas. Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu o maior patamar desde 2014. O indicador chegou a 96,6 pontos, 8 pontos acima do registrado no mesmo período do ano passado. Esse indicador mostra que os consumidores esperam uma melhora no orçamento para os próximos meses.

Para aproveitar essa onda positiva, que deve vir acompanhada de mais investimentos e empregos no País, é importante pensar na organização da vida financeira. “O ideal é medir e registrar as despesas, analisar linha a linha e ver o que é supérfluo. Ajustar até que a família passe a poupar”, diz Jan Karsten, CEO da GPS Planejamento Financeiro e presidente da Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Ele foi executivo do Citibank por 9 anos e criou a GPS em 2011.

Além de avaliar as contas, o planejamento também inclui negociar dívidas e começar um investimento pensando no futuro, especialmente agora que a aposentadoria pública está sob revisão porque vai faltar dinheiro para pagar aqueles que se aposentarem daqui a alguns anos. O IQ conversou com Karsten para saber o que fazer em 2019.

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Jan Karsten, presidente da Planejar

IQ – Com todas as discussões sobre mudanças na aposentadoria pública, como o brasileiro deve pensar no seu futuro financeiro?
Jan Karsten –
A aposentadoria como existe hoje não estará aí no futuro. A melhor alternativa seria cada um cuidar da sua própria aposentadoria. Hoje, os fundos disponíveis para investimentos via PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livre) são muito competitivos, permitem o abatimento do IR (Imposto de Renda) na fonte e o deferimento do IR. Se um indivíduo quer parar de trabalhar aos 60 anos, dada a expectativa de vida atual, ele deveria se aposentar com 20 ou 30 vezes a despesa anual em poupança. Isto significa que quem gasta R$ 200 mil por ano deveria ter entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões em liquidez.

Se um indivíduo quer parar de trabalhar aos 60 anos, dada a expectativa de vida atual, ele deveria se aposentar com 20 ou 30 vezes a despesa anual em poupança. Isto significa que quem gasta R$ 200 mil por ano deveria ter entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões em liquidez.

IQ – Qual é a melhor forma de se organizar?
Karsten – O ideal é começar por organizar as despesas e as receitas e medir quanto está sobrando por mês, se é que está sobrando algo. Melhor ainda seria contratar um planejador financeiro, que irá avaliar todos os aspectos da vida financeira e focar nas questões mais relevantes para a família.

IQ – É simples montar um plano financeiro para o longo prazo?
Karsten – Para os planos de longo prazo, é muito importante a definição do que se quer fazer na fase de aposentadoria. Com uma expectativa maior de vida, manter a cabeça ativa, assim como o corpo, é essencial para conseguir um equilíbrio e prolongar a saúde. Você tem energia e interesse de trabalhar até quando? Se pretende parar após x anos de idade, o que pretende fazer? Tem algum hobby? Pretende mantê-lo? Quanto custa mantê-lo? Tem algum desejo de contribuir socialmente? Alguma atividade pró-bono? Qual será o seu custo anual na fase de aposentadoria? Enfim, todas estas questões são essenciais para definir esse plano de longo prazo. Aqui, novamente, um planejador financeiro pode ter um papel essencial.

Para os planos de longo prazo, é muito importante a definição do que se quer fazer na fase de aposentadoria. Com uma expectativa maior de vida, manter a cabeça ativa, assim como o corpo, é essencial para conseguir um equilíbrio e prolongar a saúde.

IQ – Há alguma dica para quem ainda gasta mais do que ganha?
Karsten – Ajustar as despesas à renda até passar a ser um poupador líquido. O ideal é medir e registrar as despesas e as entradas, analisar linha a linha e ver o que é supérfluo, ajustar até que a família passe a poupar e possa aplicar parte do dinheiro economizado mês a mês. Novamente, um planejador financeiro certificado tem muita experiência em ajudar famílias a voltarem a serem superavitárias. Guardada a proporção, é a mesma coisa que vários governos estaduais no Brasil estão procurando implementar para reverter o que herdaram – Estados inchados gastando mais do que arrecadam.

IQ – O que um endividado deve fazer para regularizar as contas?
Karsten – Deveria procurar fontes mais baratas de endividamento enquanto vai “apertando o cinto” para ajustar as despesas à renda e, aos poucos, reduzir o endividamento. Cheque especial e cartão de crédito são as maiores taxas de juros, normalmente.

IQ – E quem já tem uma poupança, como fazer para o dinheiro render melhor?
Karsten – Isso depende muito do perfil do investidor e, por isso, o ideal seria contratar um planejador financeiro. Existem inúmeras oportunidades em comparação à poupança: fundos multimercados, notas do Tesouro Nacional série B atreladas à variação do IPCA, fundos de renda fixa crédito privado, ações e fundos de ações, fundos imobiliários, só para nomear os principais. Essas oportunidades reapareceram depois de 5 anos da economia brasileira em queda, de juros nominais elevados. Agora, com juros menores, um portfólio diversificado terá grande probabilidade de bater a rentabilidade da poupança num período de 3 a 5 anos.

Agora, com juros menores, um portfólio diversificado terá grande probabilidade de bater a rentabilidade da poupança num período de 3 a 5 anos.

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