Sua carreira está em alta? Pesquisa mostra as profissões com os maiores ganhos salariais

Por Bianca Alvarenga

Pesquisa da PageGroup revelou que mais da metade dos profissionais brasileiros tiveram ganhos salarias acima da inflação em 2018

Quase todos os setores contemplados no levantamento registraram uma tendência positiva - a exceção foi o segmento Imobiliário e Construção

Pesquisa feita pelo PageGroup, grupo internacional de recrutamento responsável pelas empresas Michael Page, Page Personnel e Page Executive, traz um mapeamento dos salários brasileiros. Cerca de 6.000 profissionais de grandes, médias e pequenas empresas foram entrevistados. O estudo mostrou as variações dos rendimentos de mais de 500 cargos. Os resultados revelam um otimismo entre as empresas e uma aparente recuperação do mercado de trabalho, especialmente nos cargos de gerência e liderança.

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Cargos de liderança estarão em alta em 2019

Segundo a pesquisa, mais da metade dos profissionais tiveram ganhos salarias acima da inflação no ano passado – foram levados em consideração os rendimentos no fim de 2018, em relação ao ano anterior. Posições que tiveram os salários mantidos representaram 35% do total e as que sofreram cortes nos pagamentos foram 14%. Trata-se de uma mudança relevante de tendência: o estudo de um ano antes havia registrado estagnação ou queda na maior parte dos rendimentos dos profissionais entrevistados.

A crise no mercado de trabalho já dura mais de quatro anos, mas parece estar a caminho do fim. Os números oficiais ainda são ruins e apontam para um mercado de trabalho que continua pressionado pelo desemprego. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 12,2 milhões de pessoas sem trabalho no Brasil. Mas o balanço positivo do setor formal (em 2018, mais de 500.000 postos com carteira assinada foram criados) e a melhora na situação salarial de quem está empregado podem ser indícios de um momento de virada.

De acordo com o estudo elaborado pelo PageGroup, a percepção de melhora foi disseminada, mas os melhores ganhos aconteceram em alguns pilares econômicos e níveis hierárquicos.

Setores que mais melhoraram

Quase todos os setores contemplados no levantamento registraram uma tendência de aumento ou, ao menos, recomposição da inflação do ano passado. A exceção foi o setor Imobiliário e Construção, em que 46% das posições foram afetadas por cortes salariais. O segmento foi um dos mais atingidos pela crise econômica. Com o consumo deprimido e a renda das famílias encolhendo, a decisão de comprar um imóvel saiu da lista de planos de muitos brasileiros. O mesmo vale para imóveis empresariais, afetados pela redução na confiança do setor privado. A demanda menor por novos empreendimentos levou o setor a demitir ou não bonificar seus empregados.

Entre os 13 setores que conseguiram avançar, os destaques positivos ficaram com as áreas de Jurídico, Recursos Humanos, Secretariado e Business Suport. Todos os profissionais empregados nesses setores relataram, na pesquisa, condições otimistas de remuneração. Tais áreas são consideradas estratégicas para empresas de diferentes áreas, por isso estão sendo valorizadas.

Em um momento de recuperação nas contratações, ter o melhor time de RH ajuda a escolher bons profissionais, que multiplicarão a produtividade da empresa, por exemplo. O mesmo vale para o Jurídico, importante suporte para decisões estratégicas, principalmente em um ano em que importantes mudanças em leis estão previstas, como a reforma da previdência e a reforma tributária.

Seguindo a lista de áreas cujos salários mais avançaram estão os setores de Supply Chain e Operações, Tecnologia da Informação, Financeiro e Tributário, Varejo, Bancos e Serviços Financeiros, Vendas, Engenharia e Manufatura, Saúde e Life Science, Seguros e Marketing e Digital (veja o quadro com as valorizações no fim deste texto).

Gestão em destaque

diretores, especialmente os de pequenas empresas, tiveram importantes saltos salariais. Trata-se de um alento a uma camada do mercado que sofreu muito durante a crise. Empresas sacrificaram os investimentos em cargos de média e alta gestão para reduzir custos e enxugar suas frentes operacionais.

“As empresas estão enxutas e muitos profissionais estão sobrecarregados, então há a necessidade de fazer novas contratações e estabelecer uma base sólida para o próximo momento de crescimento da economia”, diz Ricardo Basaglia, diretor da Michael Page. Ele diz que, apesar de ainda haver mais mão de obra disponível do que demanda, o desafio das empresas é o de atrair os melhores profissionais. “É o cenário de competição que leva aos aumentos salariais nessas posições.”

Isso significa cenário positivo para os que têm diferenciais de carreira – experiência em um cargo estratégico, assinatura em projetos relevantes e até mesmo fluência em outros idiomas. A chance é maior de esses profissionais serem valorizados, seja por promoções ou por novos aumentos salariais à medida em que as empresas estão buscando reter os melhores talentos e “capturar” bons profissionais de concorrentes.

Um exemplo da vida real é o da Magazine Luiza, uma das poucas varejistas que conseguiu se reinventar para crescer. A Amazon, gigante americana de varejo, anunciou recentemente novas apostas no Brasil, com a estruturação de um estoque próprio de produtos. É intuitivo supor que os bons profissionais do Magalu e de outras varejistas serão disputados pela concorrente americana.

O setor de tecnologia, antes uma ilha no mercado de trabalho, conta agora com profissionais que orbitam empresas de diferentes setores. A pesquisa captou uma valorização de posições ligadas à análise de dados e desenvolvimento de ferramentas. Para 2019 há uma grande expectativa em relação a essas novas profissões.

O mercado de trabalho, como um todo, deve ganhar tração ao longo deste ano. “As expectativas em relação à condução do governo na economia ainda trazem cautela, mas a maior parte das empresas já está de olho nas oportunidades e, mais importante, com o dedo no gatilho dos investimentos”, afirma Basaglia, da Michael Page.

O movimento, que deu os primeiros sinais positivos em alguns setores e carreiras neste ano, deve evoluir para uma recuperação dos índices de ocupação. Finalmente, boas notícias para o trabalhador brasileiro.

 

Os salários que mais cresceram em 2018
Analista de Expansão (Saúde e Life Science)40%
Business Partner (RH)40%
Gerente de Operações (Supply Chain e Operações)35%
Gerente de Qualidade (Saúde e Life Science)26%
Gerente de Captação (Bancos e Serviços Financeiros)25%
Gerente Médico (Saúde e Life Science)25%
Gerente de Planejamento Financeiro (Financeiro e Tributário)24%
Diretor de Compras (Supply Chain e Operações)22%
Especialista em Aquisição de Talentos (RH)20%
Analista de Business Intelligence (Tecnologia da Informação)19%
Gerente de Performance (Marketing e Digital)15%
Gerente de Manutenção (Engenharia e Manufatura)13%
Cientista de dados (Tecnologia da Informação)12%
Gerente de EHS (Engenharia e Manufatura)12%
Desenvolvedor Backend, Frontend e Mobile (Tecnologia da Informação)12%
Gerente de Omnichanel (Varejo)10%
Diretor de Vendas (Vendas)10%
Especialista em Experiência do Consumidor (Marketing e Digital)10%
Fonte: PageGroup/Elaboração IQº