8 erros comuns na hora de gastar o décimo terceiro

Por Fernanda Santos

O décimo terceiro não pode ser visto como um presente ou bônus a ser gasto apenas com compras e lazer

"Antes de decidir o que fazer com o décimo terceiro, é preciso fazer um raio X das contas”, diz Jusivaldo Almeida, da Abefin

As empresas brasileiras têm até 20 de dezembro para pagar a segunda parcela do décimo terceiro salário aos trabalhadores - a primeira parcela foi paga em novembro. Segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 84,5 milhões de brasileiros vão receber o benefício. O décimo terceiro é um direito dos trabalhadores formais, que trabalham com carteira assinada, e está na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

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Antes de gastar seu 13º salário, o planejamento é fundamental para não enforcar suas finanças em 2019

Apesar de ser um dinheiro extra no orçamento, ele não deve ser gasto apenas na compra de presentes. Esse ‘salário a mais’ é ideal para se planejar e uma ótima chance de colocar as contas em dia, para começar o novo ano com o orçamento mais tranquilo.

O IQ 360 conversou com especialistas e reuniu os erros mais comuns dos brasileiros ao gastar o décimo terceiro. Confira:

1. Não organizar as finanças

O principal erro cometido pelos trabalhadores que recebem o décimo terceiro salário é não organizar as finanças antes de começar a gastar.

O primeiro passo, portanto, é colocar todos os gastos e despesas no papel, avaliar as dívidas, ver quais contas estão altas demais e o que dá para cortar.

A dica do especialista é anotar todas as despesas que virão nos próximos 3 meses. Dessa forma, ficará mais claro o que é ou não é prioridade.

“A pessoa precisa se lembrar de que tem compromissos financeiros. Antes de decidir o que fazer com o décimo terceiro, é preciso fazer um raio X das contas”, diz Jusivaldo Almeida, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiras (Abefin).

2. Não priorizar as dívidas

Para quem tem dívidas atrasadas ou está pagando juros altos, é preciso quitar esses débitos antes de fazer qualquer outra coisa com o décimo terceiro,

“A pessoa deve olhar para a vida financeira, ver o que está devendo, negociar e pagar essas dívidas. O décimo terceiro não deve ser visto como um dinheiro sem destino”, diz a planejadora financeira Fernanda Garcia, certificada pela Planejar, a associação que reúne os profissionais de finanças pessoais.

Lembrando que é preciso negociar os débitos com os credores e quitar antes as dívidas mais caras, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Se não for possível quitar a dívida inteira, o trabalhador pode considerar trocar essa dívida por uma mais barata, que tenha juros menores.

Nesse caso, é indicado pesquisar entre bancos e fintechs as modalidades de crédito mais vantajosas e que tenham parcelas que encaixem no bolso.

O educador financeiro Rogério Nakata, também certificado pela Planejar, lembra ainda que não é aconselhável comprometer uma parte grande do orçamento.

“Todas as parcelas juntas não podem ultrapassar 30% do orçamento”, diz Nakata.

Se a dívida não está vencida, o trabalhador tem a opção de adiantar as parcelas para reduzir o tempo e o valor do empréstimo. Nesse caso, ele terá uma redução dos juros que serão cobrados no futuro.

3. Não guardar dinheiro para os gastos de janeiro

Apesar de ser muito importante quitar as dívidas caras, não é indicado gastar todo o dinheiro apenas com elas.

Isso porque janeiro e fevereiro são meses de gastos obrigatórios, como o pagamento dos impostos IPTU e IPVA, matrículas e materiais escolares, seguro do carro, entre outros. Sem contar que várias contas são reajustadas no começo do ano, como o condomínio e o plano de saúde, o que também eleva as despesas. “Janeiro é o mês de mais gastos para uma família”, afirma Fernanda Garcia.

Portanto, o indicado é guardar um dinheiro para esses gastos e pagar à vista o que for possível para conseguir descontos. “As despesas de começo do ano têm descontos de 3% a 10% para quem paga à vista”, diz Jusivaldo Almeida.

Lembrando que as festas de fim de ano também aumentam as despesas com as compras para a ceia de Natal, por exemplo.

A dica é colocar tudo no papel e ver o que é a prioridade. “A chave de tudo é o planejamento”, diz Fernanda.

4. Não poupar para o futuro

O décimo terceiro é uma ótima oportunidade para começar uma reserva de emergência, nem que seja com uma pequena parcela do valor total.

“O ideal é que a pessoa, ao longo do tempo, monte uma reserva que seja suficiente para cobrir de 6 a 12 meses de despesas”, diz Fernanda.

Esse dinheiro pode ser útil em casos de desemprego, problemas de saúde ou outras emergências. Além do que, a reserva já é uma forma de se preparar para realizar sonhos maiores, de médio e longo prazo, como comprar uma casa ou fazer uma viagem mais cara.

5. Fazer compras por impulso

O período de novembro a janeiro são os meses mais emocionais para os brasileiros. Com a chegada do Natal, festas e férias, as pessoas querem viajar, presentear a família, comprar roupas novas e arrumar a casa para receber as visitas.

Mas os especialistas alertam que é preciso cuidado, pois o décimo terceiro não pode ser visto como um presente ou bônus a ser gasto apenas com compras e lazer. Esse dinheiro é uma chance de a pessoa ter um ano mais tranquilo.

Jusivaldo Almeida, da Abefin, explica também que o brasileiro tem o hábito de pensar que, por trabalhar muito ao longo do ano todo, merece se presentar com esse recurso extra.

“Com esse pensamento, a pessoa tem uma tendência de já sair gastando, porque é merecimento. Ela esquece que tem de privilegiar o lado racional do uso e se planejar”, diz ele.

6. Não fazer uma lista de compras

Se você não fizer uma lista de presentes e outras compras que pretende fazer com o décimo terceiro, há uma grande chance de perder o controle, gastar demais e se endividar ainda mais.

Depois de priorizar as dívidas e a poupança para o futuro, você saberá que parcela pode direcionar a essas compras. E, principalmente, pode adaptar os desejos para produtos ou serviços mais baratos, que caibam no orçamento.

“É importante que a pessoa tenha pelo menos um planejamento prévio para sair as compras. Ela também deve pesquisar os preços antes, para ter referência”, diz Nakata, da Planejar.

7. Fazer parcelas demais

Os especialistas são unânimes quando o assunto é a forma de pagamento. Para eles, a melhor opção é sempre pagar à vista, pois são maiores as margens para negociação e pedidos de descontos.

Para a pessoa ter uma vida financeira organizada e saudável o ideal é que ela não tenha parcelas a pagar. Tudo que ela puder negociar para comprar à vista é melhor”, diz Fernanda, da Planejar.

Além disso, deixar parcelas para os meses seguintes pode atrapalhar as finanças do ano, pois elas consomem parte da renda.

“Se a pessoa não se planejou antes, deve parcelar com o menor prazo possível. Lembrando que ela tem outros compromissos financeiros e deve ajustá-los ao fluxo de caixa”, afirma Rogério Nakata.

8. Deixar tudo para a última hora

Por fim, é bom evitar deixar tudo para a última hora, pois os preços ficam mais altos, explica Fernanda Garcia. “Se vai viajar, tem que se programar com antecedência. Não deixe para programar em dezembro, porque vai ficar muito caro”, diz ela.

A ceia de Natal também pode ser comprada com antecedência. Na semana do Natal, o seu gasto vai ser maior.

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