Conheça a RB Investimentos, nova plataforma da RB Capital

Por Bianca Alvarenga

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Nascida de uma cisão da Rio Bravo Investimentos, gestora fundada pelo ex-diretor do Banco Central Gustavo Franco, a RB Capital cresceu como uma estruturadora de produtos de crédito imobiliário. Com mais de 20 anos de história, a RB surfou a onda do mercado de infraestrutura, distribuindo créditos (Certificado de Recebíveis Imobiliários, debêntures e Fundos Imobiliários) para investidores especializados. Mas faltava ainda cumprir a última milha: como outras plataformas eram responsáveis por comercializar os seus produtos, o cliente final nunca chegava a ficar sob o guarda-chuva da RB Capital.

É por isso que apesar de ter emitido títulos cujo valor alcança mais de R$ 35 bilhões, a RB não pode dizer que esse volume está sob custódia. “Não conseguíamos reter esses clientes na nossa plataforma. Fazíamos apenas a parte de securitização e emissão de ativos, que eram depois comercializados por 13 agentes”, disse Adalberto Cavalcanti, sócio da RB Capital. Ele diz que essa experiência possibilitou que eles entendessem a dinâmica do mercado e as necessidades do investidor.

Com esse aprendizado, a RB Capital resolveu lançar um novo braço, chamado de RB Investimentos. O projeto foi lançado oficialmente no começo de abril de 2019 e, em pouco menos de um mês, angariou mais de mil investidores e R$ 1 bilhão sob custódia. A meta é aumentar esse volume para até R$ 40 bilhões em um período de cinco anos.

A nova estratégia está justamente em cumprir o último elo da cadeia, fornecendo diferentes tipos de produtos para o investidor, de forma que ele não precise buscar outro agente do mercado para montar uma carteira completa. Entre os gestores que estarão na plataforma da RB Investimentos estão nomes de peso, como Adam Capital, Verde e Mauá Capital.

Até o fim de maio de 2019, a RB Investimentos planeja lançar a plataforma de homebroker para negociar ações e títulos do Tesouro Direto.

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O negócio é brigar com o Golias?

Perguntado sobre como a RB Investimentos vê a competição em um mercado cada vez mais concorrido, com players bem estabelecidos como XP Investimentos, BTG, Easynvest, Modalmais e tantos outros, Cavalcanti mostrou um misto de cautela e otimismo: “Em um primeiro momento, não queremos entrar de cabeça no varejo. Nosso diferencial será a qualidade do serviço e dos produtos”.

O braço forte da empresa será a distribuição de produtos por meio de 10 parceiros (fundos, gestores, escritórios etc.)

Ele diz que até há espaço para o pequeno investidor na nova plataforma – há produtos cuja aplicação mínima parte de R$ 100 – mas a tendência será manter o perfil do público que já buscava os produtos emitidos pela RB Capital.

Por oferecer produtos mais complexos, com perfis diferentes de liquidez e risco, como debêntures, CRIs, CRAs e FIs, a RB sempre atraiu investidores mais qualificados. “Nosso objetivo é oferecer bons produtos, que sejam diferenciados dos oferecidos por outras empresas. No futuro, queremos olhar para o varejo. De maneira geral, o investidor é ainda muito mal atendido nesse mercado”, reforça Cavalcanti, sócio da RB Capital e responsável pela RB Investimentos.

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Mercado imobiliário: navegando na tormenta

Pode parecer controverso, mas a RB expandiu-se no mercado de produtos financeiros ligados ao turbulento setor imobiliário e de infraestrutura. Mas qual foi a razão para surfar em um mar agitado? Vale lembrar que o setor de construção viveu tempos áureos até meados de 2013 e depois amargou um encolhimento de quase 30% em quatro anos.

Segundo a RB, a estratégia de sobrevivência combinou dois fatores: o primeiro é a profunda experiência no setor e o segundo é a diversificação do portfólio. Os produtos oferecidos para o mercado estavam atrelados a empreendimentos residenciais, corporativos, além de projetos de infraestrutura e logística. E a capacidade de gestão da empresa fez com que a escolha desses projetos fosse feita a dedo, evitando ativos problemáticos.

O fato é que a indústria de construção não se recuperou do tombo que tomou nos últimos anos, e as projeções não são tão positivas. Para Cavalcanti, sócio da RB, a perspectiva de recuperação do setor, ainda que lenta, cria uma dinâmica positiva para os negócios de emissão de títulos de crédito e securitização. “O crédito será muito importante nesse momento de retomada, e são essas opções de investimento que viabilizam esse movimento. É bom por dois lados: aumenta o potencial dos projetos (de infraestrutura e imobiliários), assim como favorece o investidor, que busca esses títulos”, afirma o executivo.

E a tendência é que haja apetite por essas opções. Os Fundos Imobiliários, por exemplo, bateram a marca de 300 mil cotistas, e tiveram uma rentabilidade média superior ao Ibovespa. (Veja um texto completo sobre o assunto aqui).

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Sócio de peso

No final de dezembro de 2016, a RB Capital passou a ser controlada pela Orix, grupo financeiro japonês. Na época, a Orix levou 68% da participação na RB Capital, por um valor não revelado. A operação representou a volta da empresa japonesa ao mercado do Brasil – antes, ela já havia sido sócia da Bradesco Leasing.

Questionado se a ampliação do escopo de atuação e lançamento da RB Investimentos já estava no radar dos japoneses quando fizeram a aquisição, Cavalcanti disse que se tratou de uma decisão conjunta: “Amadurecemos essa ideia com a Orix”.

A equação de multiplicação de clientes e de importância no mercado, sem se abalar com a crise, parece ser traço da cultura asiática, que vê longe e confia que o trabalho duro é o único caminho para chegar lá.

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