Bitcoin em busca dos 500% de valorização em 2019

Por Bruno Freitas

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Todo investidor acostumado com o mercado financeiro conhece o significado das expressões “bull market” e “bear market”. Quem estreou no mercado de criptomoedas no ano passado conheceu o lado mais sombrio da renda variável: a patada do urso. O Bitcoin, a moeda digital mais conhecida, começou 2018 sendo negociado próximo a US$ 20 mil. O problema é que esse foi o pico antes de uma turbulência que varreu todas as criptomoedas globais. Em novembro, a queda em uma semana chegou a 30%. No fim do ano passado, o Bitcoin estava em torno de US$ 4 mil. Esse certamente é um trauma psicológico – e financeiro – que somente uma alta de 500% em 2019 poderia curar.

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Bitcoin em 2018: um histórico breve

Foram muitos os acontecimentos que levaram as criptomoedas a esse cenário de incerteza. Especialistas listam três fatores possíveis que causaram o declínio do Bitcoin: a perda de interesse dos investidores; uma troca de criptomoedas por parte dos usuários; e uma restrição regulatória sobre o comércio de moedas digitais – o G20, o grupo formato pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia – descartou regulamentá-las. O valor de mercado de todas as criptomoedas, que já foi de US$ 870 bilhões em janeiro de 2018, caiu para US$ 100 bilhões, aproximadamente.

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Bitcoin em 2019: como será?

Há muita desconfiança com o comportamento das criptomoedas em 2019. A única certeza é que a montanha-russa vai continuar. Analistas apontam que só investidores mais antigos, que sabem avaliar as variações do Bitcoin e acreditam no seu potencial, devem continuar. Mas o que mais preocupa o mercado, em geral, são as diferentes correntes de pensamento. Há quem acredite que haverá uma derrocada para US$ 100 e quem projete uma supervalorização para US$ 1 milhão.

Boris Hristov, pesquisador de tecnologia e de Bitcoin, disse para o Smartereum que somente se investidores institucionais entrarem com muito dinheiro a criptomoeda vai se estabilizar. Mas esses grandes investidores não estão interessados em assumir riscos que envolvem esse mercado.

“Alguns potenciais candidatos institucionais são os fundos de investimento, que têm cerca de US$ 600 bilhões sob gestão. No entanto, as circunstâncias atuais são sombrias”, afirmou Hristov.

O chefe de estratégia técnica do Fundstrat, Robert Sluymer, diz que 2019 é um ano decisivo para a criptomoeda. Ele traça dois caminhos. Para investidores que procuram ganhos no curto prazo, o momento não é bom e merece maior cuidado. Já para aqueles que têm uma estratégia de longo prazo, o momento pode ser oportuno e a baixa do Bitcoin pode render maiores ganhos no futuro.

“O Bitcoin está prestes a ‘desafiar sua tendência de baixa’”, disse Sluymer à rede americana CNBC. “A possibilidade está lá, mas o que precisamos ver é essa barreira quebrada e, depois, passar por alguns níveis muito importantes.”

Um dos maiores entusiastas da criptomoeda é o programador britânico John McAfee, fundador do software de antivírus que leva seu sobrenome. Ele é conhecido por fazer previsões muito otimistas pelo Twitter. Desta vez, ela afirma que o Bitcoin vai valer US$ 1 milhão.

“Quando eu previ o Bitcoin a US$ 500 mil no fim de 2020, foi usado um modelo que previa US$ 7 mil no fim de 2017”, escreveu McAfee na sua conta pessoal no Twitter, justificando a diferença da sua previsão para o preço recorde de US$ 20 mil. “O Bitcoin acelerou muito mais rápido do que as suposições do meu modelo. Eu agora prevejo o Bitcoin em US$ 1 milhão até o fim de 2020. Mas, se der errado, eu ainda vou comer o meu jantar.”

No entanto, para puxar os sonhadores de volta à Terra, Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), diz que as autoridades monetárias globais vão continuar lutando contra as criptomoedas enquanto elas garantirem os anonimato aos seus proprietários.

“Eu acho que o Bitcoin valerá apenas uma pequena fração do que é agora”, disse Rogoff. “Se formos projetar daqui a 10 anos, eu veria US$ 100 sendo muito mais provável do que US$ 100 mil.”

Este ano parece ser crucial para o destino das criptomoedas e, principalmente, o Bitcoin. Com tantas opiniões divididas não é exagero dizer que 2019 será um período de especulação. Por isso, o melhor a fazer é continuar acompanhando cada movimento do mercado, com a consciência de que a moeda pode cair – movimento que já aconteceu antes, cabe frisar – mas que seu potencial de crescimento pode ser grande. Grandes riscos ou grandes perdas. É 100 ou 1 milhão. Vai apostar?

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