Os dois lados da maçã: como a China pode abalar a gigante Apple

Por Bruno Freitas

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O CEO da Apple, Tim Cook, começou o ano chacoalhando o mercado financeiro global. Em carta aos investidores, ele afirmou que esperava enfrentar alguns desafios nos mercados emergentes, mas não contava com uma desaceleração abrupta da China. Por esse motivo, a Apple venderá menos iPhones e seu resultado no primeiro trimestre será menor que o esperado. No pregão de 3 de janeiro, os investidores passaram a vender a ação da companhia, que recuou 10% no dia. A perda foi de US$ 72,4 bilhões em seu valor de mercado – a mais expressiva em cinco anos.

A China é o principal desafio a ser enfrentado pela empresa de Cook. Um fator que não está sob o controle da Apple é a guerra comercial entre o governo chinês e os Estados Unidos, que deve respingar com retaliação sobre todas as empresas americanas. Mas o problema imediato vem do aumento da concorrência dentro do país asiático – um dos maiores mercados consumidores globais. A Huawei vem buscando criar produtos similares aos da americana. No fim de 2018, por exemplo, lançou um modelo de celular com configurações muito similares às do iPhone XR, por cerca de R$ 1,4 mil mais barato.

“Os iPhones estão enfrentando um mercado saturado de smartphones de alto padrão, com a desaceleração do crescimento e o aumento da concorrência na China”, disse Anshul Gupta, diretor de pesquisa da Gartner, em dezembro, após a divulgação de resultados da Apple.

Os acontecimentos recentes com a Apple podem abrir uma oportunidade para os investidores. Em outubro de 2018, a companhia atingiu US$ 1,12 trilhão de valor de mercado e tinha se tornado a mais valiosa do mundo. Em três meses, perdeu quase US$ 400 bilhões. O papel, que era negociado acima de US$ 220, recuou para a casa de US$ 150. Se a lógica de mercado é vender na alta e comprar na baixa, abriu-se uma janela de oportunidade para ser acionista da empresa criada por Steve Jobs?

Os analistas estão divididos com relação ao potencial da empresa. Para o Stock Invest, há vários sinais negativos que devem manter a performance do papel fraca nas próximas semanas. Por isso, a avaliação é negativa para a ação da Apple. A Fortune vai além e analisa o Valor Econômico Adicionado (EVA, na sigla em inglês): o valor de mercado da companhia ainda não refletiu as perspectivas mais sombrias de queda do EVA nos próximos anos.

Mas há, também, os que mantêm o otimismo com os negócios da Apple. De acordo com o Wallet Investor, o potencial de ganhos em 12 meses é de 27,7%. E uma pesquisa realizada com 42 analistas de investimento pela CNN, em dezembro, indicava a compra da ação da empresa.

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Como investir em ações da Apple

Se no passado o investidor brasileiro tinha de se perguntar por que ler uma notícia sobre o potencial da Apple, agora o questionamento é se deve investir ou não? Há vários caminhos para colocar na carteira uma ação listada nas bolsas de valores americanas.

O mais simples é adquirir um Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que basicamente é um espelho de sua correspondente americana. A compra desse certificado funciona exatamente igual à aquisição de uma ação brasileira: por meio das corretoras de valores. E a negociação é feita na B3, a bolsa de valores do Brasil. Porém, a restrição imposta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é que somente pessoas físicas com aplicação superior a R$ 1 milhão podem adquirir diretamente esses títulos

No mercado nacional estão disponíveis 121 papeis de empresas dos Estados Unidos. Até novembro de 2018 (últimos dados disponíveis), o BDR da Apple (AAPL34) era o mais negociado na B3, com 6,2% do volume. Em seguida vinham Amazon e Google, com 6,1% e 6%, respectivamente. O estoque total de BDRs estava em R$ 2,7 bilhões.

Uma alternativa para quem quer comprar diretamente na Nyse ou na Nasdaq é a abertura de uma conta numa corretora que tenha sede no exterior. Nesse caso, é preciso fazer a transferência do dinheiro – e pagar os devidos encargos. Recentemente, uma corretora em Miami começou a atender o investidor latino-americano. A Avenue oferece um home broker ou aplicativo para visualizar a carteira de investimentos e cobra US$ 5 de taxa de corretagem para ordens de até US$ 2 mil.

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