A gigante Amazon ainda não encontrou limites

Por Bruno Freitas

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Fazia muito tempo que a economia e a fofoca não se uniam. Esses dois universos tão distintos se reaproximaram para falar do iminente divórcio entre MacKenzie e Jeff Bezos, o fundador e CEO da Amazon, a gigante do comércio eletrônico. Após 25 anos, a união está em xeque. Parte das notícias está concentrada na divisão dos bens. Com uma fortuna estimada em US$ 136 bilhões pela Forbes, se o casal seguir o que determina as leis de divórcio de Washington, onde assinaram o acordo pré-nupcial, cada um leva metade da riqueza. No entanto, a parte mais séria dessa história é saber o que futuro reserva para a Amazon.

Como a empresa de comércio eletrônico foi criada após o casamento, a participação de 16% de Bezos poderá ser dividida com MacKenzie, que teria um lugar no Conselho de Administração da companhia. A possibilidade intrigou os analistas de Wall Street. Três perguntas estão em busca de uma resposta: MacKenzie poderá se unir a outros acionistas para tomar decisões contrárias às da atual gestão? Ela passaria a defender novas políticas salariais, o que reduzirá o lucro da empresa? Bezos renuncia ao cargo de CEO e vai em busca de novos desafios, como se candidatar à Presidência dos Estados Unidos em 2024?

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O divórcio vai afetar a Amazon?

Embora a projeção seja otimista para a ação da Amazon, com um potencial crescimento de 33% em 2019, de acordo com o Wallet Investor, a separação do casal Bezos preocupa grande parte dos analistas e gestores de recursos. Doug Kass, gestor do fundo de hedge Seabreeze Partners, vendeu sua participação na companhia após a divulgação do divórcio. A decisão mostrou o peso que Bezos tem na empresa. Em dezembro, Kass havia colocado a Amazon na “lista de melhores ideias”.

“É prematuro perguntar o que acontece quando Jeff Bezos escolher entregar as tarefas diárias da companhia que ele fundou?”, questionou o gestor do Seabreeze Partners para a agência Reuters.

Para Thomas Forte, analista do D. A. Davidson, as dúvidas sobre o futuro da Amazon são válidas por conta da grande influência de Jeff Bezos na companhia. Com sua possível saída do cargo de CEO da empresa, por razões ligadas ao divórcio ou não, estima-se que os papéis da recuem, imediatamente mais, de 10%.

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Otimismo com o crescimento da Amazon

Will Ashworth, colunista do InvestorPlace, está ignorando a vida pessoal do casal Bezos. Ele escreveu, após o anúncio do divórcio, esperar que as ações da companhia superem o valor de US$ 10 mil nos próximos cinco anos. O papel estava sendo negociado em torno de US$ 1.640 na segunda-feira, 14 de janeiro, com valor de mercado de US$ 795,5 bilhões. Desde o início de 2019, a ação acumulava valorização de 5,7% ante uma alta de 3% do índice S&P 500. Ashworth analisa que a Amazon tem um potencial gigantesco de crescimento com áreas para serem mais exploradas, como a disputa pelo mercado de publicidade na web com Google e Facebook. Além disso, as lojas de conveniência Amazon Go prometem revolucionar a indústria com um sistema de compras que não depende de caixas e atendentes.

O divórcio vai dar um tempo para os investidores pensarem a respeito da confiança no negócio da Amazon. De acordo com o site de estatística e dados de mercado Statista, 89% do lucro da Amazon, no ano fiscal de 2017, veio da Amazon Web Services (AWS), popular plataforma de serviços de computação em nuvem. Pode parecer uma surpresa para aqueles que olham o negócio de fora e acreditam que os ganhos da empresa venham apenas com as vendas no varejo, mas os investidores enxergam como um claro sinal do grande potencial de lucro que a Amazon tem com seus diferentes produtos.

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Como investir em ações da Amazon

Se no passado o investidor brasileiro tinha de se perguntar por que ler uma notícia sobre o potencial da Amazon, agora o questionamento é se deve investir ou não. Há vários caminhos para colocar na carteira uma ação listada nas bolsas de valores americanas.

O mais simples é adquirir um Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que basicamente é um espelho de sua correspondente americana. A compra desse certificado funciona exatamente igual à aquisição de uma ação brasileira: por meio das corretoras de valores. E a negociação é feita na B3, a bolsa de valores do Brasil. Porém, a restrição imposta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é que somente pessoas físicas com aplicação superior a R$ 1 milhão podem adquirir diretamente esses títulos

No mercado nacional estão disponíveis 121 papéis de empresas dos Estados Unidos. Até novembro de 2018 (últimos dados disponíveis), o BDR da Amazon (AMZO34) era o terceiro mais negociado na B3, com 6% do volume. O estoque total de BDRs estava em R$ 2,7 bilhões.

Uma alternativa para quem quer comprar diretamente na Nyse ou na Nasdaq é a abertura de uma conta numa corretora que tenha sede no exterior. Nesse caso, é preciso fazer a transferência do dinheiro – e pagar os devidos encargos. Recentemente, uma corretora em Miami começou a atender o investidor latino-americano. A Avenue oferece um home broker ou aplicativo para visualizar a carteira de investimentos e cobra US$ 5 de taxa de corretagem para ordens de até US$ 2 mil.

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