Startups financeiras ganham destaque no mercado tradicional

Por admin

Startups financeiras ganham destaque no mercado tradicional

A tecnologia está revolucionando o mercado financeiro nacional.  A transformação deste setor vem acontecendo de forma acelerada nos últimos anos e as startups financeiras, as chamadas fintechs, têm se tornado cada vez mais conhecidas e ganhando mais espaço entre os brasileiros por direcionar seus esforços no desenvolvimento de soluções que cobrem as deficiências ou limitações de serviços financeiros tradicionais.

Vale explicar que o termo ‘fintech’ surgiu da combinação das palavras em inglês financial (finanças) e technology (tecnologia). Ou seja, o intuito é oferecer serviços financeiros que se diferenciam pelas facilidades proporcionadas pela tecnologia e pela internet.

Com os spreads elevados, as fintechs, chamadas de instituições financeiras que têm licença para operar digitalmente, começam a ganhar território no mercado e a atenção dos investidores. Estima-se que existam aproximadamente R$ 4 trilhões em notas a serem descontadas no mercado.

A projeção é que o Brasil conte com cerca de 550 fintechs, conforme estudo Fintech Mining Report 2019, realizado pela Distrito, uma holding de negócios voltados à inovação. Dessas, 231 surgiram entre 2016 e 2018. 114, ou 20,73%, estão enquadradas na categoria meios de pagamento e outras 85, ou 15,46%, em crédito.

Já na divisão geográfica, o Sudeste comporta a maior quantidade de startups do meio financeiro, com 74,5%. O Sul vem em segundo, com 17,9%, seguido pelo Nordeste (4,7%), Centro-Oeste (2,2%) e Norte (0,7%).

O fato é que, em um mundo cada vez mais competitivo, marcas orientadas por insights com foco em propósito, personalização e satisfação têm lealdade dos clientes. Além disso, empresas bem avaliadas oferecem experiências excepcionais durante todo o ciclo de vida de produtos e serviços a partir de conexões emocionais relevantes. É neste contexto que os bancos digitais estão ganhando destaque.

O diretor do comitê de fintechs da Abstartups (Associação Brasileira de Startups), Bruno Diniz, comenta que contas digitais é o segmento que tem ganhado mais visibilidade entre os brasileiros, especialmente por conta de players como o do Nubank e do Neon.

Bruno Diniz
Bruno Diniz

Ele lembra que o Nubank aparece como um ícone de inovação no mercado financeiro. A fintech começou a operar em 2014, apenas com cartão de crédito, mas de forma inovadora, sem anuidade ou cobrança de outras tarifas e com todo o processo feito por meio do aplicativo.

Já o Neon é uma fintech especializada em abertura e movimentação de contas-correntes digitais e emissão de cartões de débito, crédito e pré-pago.

“O Nubank, por exemplo, era mais voltado para cartão de crédito e foi evoluindo para a conta bancária. Essa integração entre cartões e contas bancárias está se tornando cada vez mais frequente”, diz Diniz. “Este é um movimento que cresceu mundo afora e agora está ganhando destaque no Brasil, especialmente com a chegada de players internacionais neste mercado. O que estamos vendo agora é a chegada de nichos específicos como as opções voltadas para o público LGBT, caminhoneiros e pessoas jurídicas, por exemplo”, complementa o representante da entidade.

Além dos bancos digitais, há um amplo mercado a ser explorado por essas empresas no setor de pagamentos e remessas, gestão financeira empresarial e pessoal, empréstimos, investimentos e seguros.

Este é um universo que tem ganhado cada vez mais destaque e investimentos milionários. A Antecipa, plataforma de antecipação de recebíveis, por exemplo, anunciou recentemente aporte de cerca de R$ 4,5 milhões investido pelo fundo da Redpoint eventures, e projeta um crescimento de 25% ao mês. Em seis meses, a ideia é atender 10 mil empresas e, em dois anos, mais de 100 mil clientes. A empresa, que nasceu em Salvador, na Bahia, já antecipou mais de R$ 100 milhões e movimenta 25 mil negócios cadastrados na plataforma.

Vantagens

A tecnologia traz algumas vantagens para os clientes. Entre elas, Diniz cita a simplicidade no uso dos produtos e o conhecimento mais amplo das necessidades dos correntistas. “Isso tem levado, inclusive, os bancos tradicionais a melhorarem suas soluções. Há uma mudança cultural em curso”, comenta Diniz.

Com todos os processos realizados por meio eletrônico, os clientes têm mais agilidade quando precisam de um produto ou serviço da sua instituição financeira. A estimativa é que, nas empresas tradicionais, o pagamento de um débito pode levar até três dias para ser contabilizado. Já nas fintechs, o débito é realizado em até um dia, poupando tempo e preocupação. E, dependendo da operação a transação pode ser realizada no mesmo dia.

Os custos para se ter uma conta bancária, fazer empréstimos e até para a manutenção de um cartão de crédito podem ser muito altos e acabam fazendo com que muitas pessoas e empresas fujam dos bancos tradicionais. Isso porque as taxas de juros tendem a ser mais baixas nas fintechs, isso sem falar que essas empresas não costumam cobrar taxas para a manutenção do cadastro, por exemplo.

De olho em um mercado crescente entre os empreendedores, tem fintechs se especializando em fornecer ferramentas que fazem a ponte entre o pequeno empresário e seus parceiros comerciais. É possível ter ajuda no planejamento, na gestão, na contabilidade on-line e até nos pagamentos dos impostos corporativos.

O pequeno empresário tem, por exemplo, à sua disposição a possibilidade de fazer o parcelamento de pagamentos por meio do cartão de crédito com os custos lançados diretamente para o cliente. Além de que muitas empresas depositam os valores, tanto de crédito quanto de débito, até um dia após o cliente passar o cartão.

“Acreditamos no potencial das startups e da inovação para transformação do nosso país e buscamos auxiliar tanto na criação de um ambiente mais colaborativo em nosso ecossistema, como no apoio às políticas públicas que beneficiem as startups e seus empreendedores”, afirma a Abstartups.

A entidade do setor considera que os próximos anos serão decisivos para o futuro do setor fintech, período onde veremos uma consolidação regulatória e o desdobramento de iniciativas privadas e governamentais que irão impulsionar ainda mais o Brasil como potência Latino Americana do setor.

“Que tenhamos ainda mais unicórnios verde-amarelos e sejamos referência no surgimento de novos negócios financeiros em países emergentes. Saem ganhando, assim, o usuário, o país e o nosso mercado financeiro”, finaliza a associação.

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