Quem é Jorge Paulo Lemann?

Por Redação IQ 360

Jorge Paulo Lemann, em San Valley, Idaho, em 2015 (Foto: GettyImages)

Muito provavelmente você deu, nos últimos dias, pelo menos R$ 1 para o bilionário Jorge Paulo Lemann. A conclusão pode ser um pouco assustadora, mas a conta não é difícil de ser feita.

Esse carioca nascido em 26 de agosto de 1939 é sócio de várias empresas que fazem parte do cotidiano de todo brasileiro. O empresário tem participação em marcas como Sonho de Valsa, Oreo e Trident, da Kraft Heinz; Brahma, Stella Artois e Budweiser, da Ambev; Burger King e Lojas Americanas. Ele também detém fundos que investem em outras companhias como SnapChat, iFood e Cultura Inglesa. Para quem está habituado com o mercado financeiro, o nome do empresário é bastante familiar. Mas se você desconhece a trajetória de Lemann, sua carreira como tenista profissional, suas obras filantrópicas e como ele adquiriu várias empresas e ficou rico, este artigo tem todas as informações que você precisa.

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Família e formação de Lemann

Nascido no Rio de Janeiro no ano em que teve início a Segunda Guerra Mundial, Jorge Paulo Lemann carrega no sangue a herança de uma família suíça que veio ao Brasil para empreender. Por parte de mãe (brasileira), os avós se estabeleceram na Bahia como exportadores de cacau. A família do pai, que era dona de uma fábrica de chapéus na região suíça de Emmental, enviou três filhos para a América e acabou descobrindo uma nova vocação no comércio de queijos: um dos filhos foi para os Estados Unidos, outro para a Argentina e o pai de Lemann mudou-se para o Rio de Janeiro onde fundou a fábrica de laticínios Leco, abreviatura de Lemann & Company.

A morte precoce do patriarca quando Jorge Paulo tinha apenas 14 anos poderia ter abalado a família. Mas, além da veia empreendedora, os Lemann também compartilhavam a ética protestante que propaga que “Deus lhe dá o que você trabalhou para conquistar”. Sendo assim, o jovem Jorge Paulo concluiu seus estudos na Escola Americana do Rio de Janeiro e, aos 17 anos e com inglês fluente, foi estudar economia em Harvard.

Na conceituada universidade americana, o jovem Lemann faz algumas travessuras e revelou mais uma tradição “bombástica” de sua família – ela havia sido expulsa de um vilarejo vizinho na Suíça por, acredite, explodir uma fábrica de dinamite. Num episódio que soa inimaginável atualmente, Jorge Paulo levou na bagagem para os Estados Unidos bombas “cabeça de negro” (semelhantes aos traques de festa junina, porém mais potentes) e as detonou no dormitório dos estudantes durante uma rebelião. O reitor de Harvard flagrou Lemann acendendo uma delas, o que poderia render uma expulsão. Mas a “pena” foi convertida em uma suspensão de um ano com a recomendação de que amadurecesse antes de voltar aos estudos.

O episódio foi determinante na vida de Jorge Paulo Lemann, que admite que não gostava de Harvard à época. Ele foi convencido pelo tio (aquele que se mudou da Suíça para os Estados Unidos) a voltar para a faculdade americana ao final da suspensão. Com muita dedicação em sua segunda passagem, Lemann precisou de apenas dois anos para se formar – para orgulho do tio que passou a dizer: “Tá vendo como eu fiz bem a você?”

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Lemann no esporte: uma paixão

Formado, o economista Lemann não passou nem mais um dia nos Estados Unidos e mudou-se para Zurique. De volta à Suíça, ele tinha intenção de estagiar no conceituado banco de investimentos Credit Suisse. A expectativa era acumular experiência dentro de uma das instituições financeiras mais sólidas e respeitadas do mundo, com a vantagem de ter a família por perto. Mas a realidade não poderia ter passado mais distante.

Em uma de suas poucas entrevistas, Lemann revelou que a passagem pelo Credit Suisse “durou pouco. Era modorrento, eu lambia selo, atendia telefone, não estava aprendendo nada”. Foi então que, com o pavio curto que ainda lhe era peculiar na juventude, ele pediu uma licença do trabalho e aceitou o convite para participar do campeonato nacional de tênis, esporte pelo qual o carioca-helvético sempre foi apaixonado.

Com a dedicação e o talento que também estavam entre suas características, Lemann venceu a competição e causou tamanho espanto que foi convidado a representar a Suíça na Copa Davis de 1962, contra a África do Sul. Era o adeus definitivo ao estágio no banco. Dessa forma, o pequeno “Jorge Americano”, que começou a jogar tênis aos sete anos de idade no Country Club do Rio de Janeiro, quase transformou o hobby em profissão.

Nessa época, o futuro bilionário esteve perto de se tornar tenista profissional e chegou a disputar o torneio de Wimbledon, um dos quatro Grand Slams, que é realizado nas quadras de grama de Londres. A eliminação na primeira rodada, porém, frustrou os planos do aspirante a tenista. Embora ele tenha tido momentos de glória na quadra: foi campeão carioca de tênis em 16 oportunidades e pentacampeão brasileiro (1968, 1969, 1971, 1974 e 1975).

Em meio a essas conquistas, Lemann ainda colecionou vitórias contra adversários famosos no circuito mundial como o tcheco Jan Kodes, campeão de Roland Garros e Wimbledon; o italiano Nicola Pietrangeli; e o também brasileiro Thomaz Koch. Em 1972, Koch se machucou e Lemann disputou novamente uma Copa Davis. Agora pelo Brasil, ele estava na equipe que venceu a Argentina nas semifinais, por 3 x 2. O País não chegou ao grupo mundial pois foi derrotado pelo Chile nas finais da Região.

Sem nunca ter abandonado o esporte completamente, Lemann ainda se consagrou campeão mundial master na categoria 45-50 anos, na Áustria, e bicampeão mundial na categoria 50-55 anos, na Espanha e na Itália.

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Empresário e investidor Lemann: o estrategista

Se dentro da quadra o Lemann atleta revelava um estilo de jogo determinado e persistente, mais tarde o empresário e investidor demonstraria que essa estratégia seria adotada, com perfeição, no mundo dos negócios. Segundo a definição de um de seus primeiros sócios, Luiz Cezar Fernandes, Lemann é como “um jogador de fundo de quadra. Não se aventura a subir à rede para um voleio temerário. Ele bate, rebate com efeito, nos cantos, deixando a plateia tensa e o adversário exausto. Controlado, aguarda o oponente impacientar-se e perder o ponto.”

A despeito de ter perdido o posto de homem mais rico do Brasil para o banqueiro Joseph Safra – R$ 95,3 bilhões antes R$ 86,2 bilhões, no ranking da Forbes 2019 –, Jorge Paulo Lemann personifica um caso raro que nem Safra nem seus outros pares bilionários reúnem no Brasil: uma atuação vitoriosa como investidor e uma condução arrojada como empresário.

No entanto, apesar do resultado expressivo nos negócios, o começo da trajetória de Lemann foi difícil – como é para a maioria dos empreendedores brasileiros. Mesmo com a experiência e a formação internacional, o carioca ajudou a montar, no Brasil, uma financeira chamada Invesco, especializada na concessão de crédito. Mas ela acabou quebrando em 1966, quando ele tinha apenas 27 anos. Com apenas 2% do capital societário, Lemann se recuperou rapidamente do tombo e chegou a trabalhar também na corretora Libra antes de dar o seu primeiro passo bem-sucedido como empresário, em 1971.

Um pouco mais maduro, aos 32 anos, Lemann comprou a acanhada corretora de valores carioca Garantia. Aproveitando-se da sua proximidade com o banco americano Goldman Sachs, ele conseguiu levantar fundos suficientes para alavancar a instituição que ia mal das pernas e transformá-la no primeiro banco de investimentos do País.

Lemann, no entanto, não fez tudo sozinho. Depois de ter estudado profundamente a gestão americana, Lemann chegou à conclusão de que “é difícil fazer alguma coisa sozinho. Juntando o time certo você anda mais rápido e vai mais longe”. Em referência àquela época, o empresário relata que “quando comecei no mercado financeiro, com grande bancos dominantes e sem muito espaço, a oportunidade que vi foi atrair a melhor equipe possível: Claudio Haddad, Carlos Alberto Sicupira, Marcel Herrmann Telles, André Lara Resende… Pessoas excepcionais que ajudaram a construir o negócio”.

Dos nomes citados, dois merecem destaque: Marcel Telles e “Beto” Sicupira. O primeiro ingressa na empresa em 1972 e o segundo, um ano depois. Sicupira era companheiro de Lemann na pesca submarina e foi convidado por causar uma boa impressão com sua mira e fôlego. Desde então, os três fiéis escudeiros permanecem juntos e se tornam responsáveis por algumas jogadas de impacto no mercado financeiro ao longo das décadas seguintes.

Focados exclusivamente na conquista de bons resultados à frente do Garantia, os três se tornam sinônimo de uma atuação agressiva na bolsa de valores e também no mercado de capitais. Nesse período, destaca-se a compra da rede varejista Lojas Americanas, em 1982. Sete anos mais tarde, eles criam a São Carlos Empreendimentos e adquirem a cervejaria Brahma.

Reconhecido por sua excepcional atuação como trader à frente do banco, a aquisição da cervejaria e, sobretudo, da rede varejista, despertou uma certa desconfiança do mercado financeiro sobre Lemann. Especulava-se que ele ficaria pouco tempo como proprietário das duas marcas. O tempo seria suficiente apenas para conduzir as reestruturações necessárias e prepará-las novamente para venda, obtendo algum lucro na transação (uma estratégia muito utilizada por fundos de private equity).

O economista, no entanto, surpreendeu a todos e mostrou também sua aptidão como empresário ao consolidar as marcas e transformá-las em mais do que uma transação lucrativa, em um ativo de valor permanente.

Nas Lojas Americanas, Lemann encarregou Sicupira de catapultar a empresa e transformá-la em uma das maiores redes de varejo do País. Assim, os sócios pavimentaram o caminho para a criação da maior operação integrada de comércio eletrônico do mercado brasileiro, intitulada de B2W, onde hoje estão marcas como Americanas.com, Submarino e Ingressos.com.

Já para Telles coube a missão de dar um salto ainda maior no comando da Brahma. Após a aquisição da cervejaria por parte dos sócios pelo preço de US$ 60 milhões, o mercado de cervejas pegou fogo e a competição voraz pelos consumidores se estabeleceu entre as concorrentes Brahma e Antarctica. Dez anos depois de adquirir a Brahma, Lemann e seus sócios fizeram o movimento que ninguém esperava e anunciaram a fusão com a Antarctica. Em 1999, as duas marcas ficaram sob o guarda-chuva da recém-criada Ambev.

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Pouco tempo antes, no entanto, em 1993, os sócios haviam fundado a GP Investimentos, que se especializou em comprar empresas com dificuldades e melhorar sua gestão operacional e financeira antes de revendê-las. Assim, a GP Investimentos tornou-se a primeira empresa de private equity do Brasil e acumulou participações expressivas em companhias como a Telemar, a Gafisa e a América Latina Logística (ALL Logística, atual Rumo Logística).

Em meio a toda essa diversificação de investimentos, o Banco Garantia foi vendido, em 1998, para o Credit Suisse, onde Lemann foi estagiário no começo de carreira. A grave crise financeira na Ásia abalou a operação e o melhor saída encontrada pelos sócios foi se desfazer da instituição financeira. Nesse período, Lemann, Telles e Sicupira conhecem o megainvestidor Warren Buffett, considerado o maior investidor global de empresas. Com Buffett, o trio ex-Garantia compartilha a intenção de focar seus esforços em gerir empresas com modelos de negócio tradicionais e simples, enquanto compram participações em outras empresas por meio de seus fundos de investimento.

Com o amadurecimento dessa ideia, Lemann, Sicupira e Telles decidem vender, também, uma parte da GP Investimentos aos seus funcionários. Naquele momento, parecia ser um contrassenso. A explicação, no entanto, viria pouco tempo depois com o anúncio da criação da 3G Capital, um fundo de investimentos com sede em Nova York e no Rio de Janeiro focado em grandes aquisições.

Paralelamente à criação da 3G, Lemann e seus sócios trabalhavam na fusão da Ambev com mais uma cervejaria. Desta vez, em 2004, a união anunciada foi com a cervejaria belga Interbrew, dona de marcas como Stella Artois. O resultado do negócio foi a criação da InBev, uma nova cervejaria que já nascia como a maior do mundo em volume de produção e a segunda maior em vendas. Com esse movimento, Lemann aparece pela primeira vez no ranking dos homens mais ricos do mundo pela Forbes, com patrimônio estimado em US$ 1,1 bilhão.

Para não deixar dúvidas sobre o apetite do 3G, quatro anos mais tarde a companhia adquiriu também a cervejaria Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, criando a AB InBev e se consolidando definitivamente como a maior empresa do ramo cervejeiro no mundo. Mesmo já estando na liderança, anos depois, em 2015, o grupo ainda concretizou a aquisição da SABMiller, e ampliou sua liderança mundial nesse segmento de bebidas.

Antes disso, porém, Lemann já tinha saciado seu apetite por novas empresas quando, em 2010, o 3G anunciou a aquisição da rede de fast food Burger King. Com uma expansão muito bem-sucedida, sobretudo no Brasil, a lanchonete passaria a integrar uma holding criada e batizada de Restaurant Brands International, que engloba ainda as redes Tim Hortons (desde 2014) e Popeyes (desde 2017).

Empolgado com os resultados alcançados no setor de alimentos e bebidas, Lemann dá mais um importante passo no segmento em fevereiro de 2013: em parceria com a Berkshire Hathaway, de Buffett, o 3G adquiriu a fabricante americana de catchup Heinz, por US$ 23,2 bilhões. Dois anos mais tarde, a compra da Kraft criou a Kraft Heinz, uma das maiores empresas do ramo alimentício do mundo.

Dono de marcas como Brahma, Antarctica, Skol, Budweiser, Stella Artois, Burger King, Popeyes, Heinz e tantas outras, a preferência de Lemann por aquisições e fusões no segmento de comidas e bebidas desencadeou uma série de boatos. Alguns deles sugeriam uma tentativa de compra da Pepsico e até mesmo da Coca Cola. Mas também houve tentativas frustradas de aquisição, como a da Via Varejo, detentora de marcas como Ponto Frio e Casas Bahia, e da Unilever, dona de marcas como Hellmann’s, Dove, Rexona, entre outras.

Mesmo com alguns reveses, Lemann, novamente, nunca se deu por derrotado e continuou expandindo seus negócios e seus horizontes. A criação dos fundos Gera Venture Capital e Innova Capital serviu para o investimento em empresas de tecnologia e educação.

Com o propósito de adquirir startups que gerassem inovação e, é claro, tivessem bom potencial de retorno financeiro, o Innova Capital comprou participações de empresas como a Snapchat, rede social de fotos e vídeos com 150 milhões de usuários diários; a Movile, líder em desenvolvimento de plataformas de comércio e conteúdo móvel na América Latina, dona de marcas como o aplicativo iFood; e a Diletto, uma sorveteria.

Já a Gera Venture se constituiu como um fundo focado em investimentos em educação que deu origem à holding Eleva Educação, responsável pela criação de uma rede de escolas de excelência acadêmica, a começar pela Escola Eleva, aberta em janeiro de 2017, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

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A filantropia e a discrição de Lemann

Todo esse histórico de sucesso não faz de Lemann uma figura pública. Além da capacidade de identificar boas oportunidades de negócios, ele compartilha com seu sócio e amigo Warren Buffett outra característica: o apreço por um estilo simples e discreto.

Ao contrário de banqueiros tradicionalistas, como Joseph Safra, que é conhecido por não abrir mão do terno e gravata, Lemann adota uma linha mais casual e é visto geralmente com camisas brancas de mangas curtas, calça de sarja e sapatos de camurça.

Da mesma forma, Lemann não costuma fazer suas refeições em restaurantes badalados, evita exposições em eventos sociais e até mesmo suas entrevistas são raras. Mesmo quando uma de suas empresas precisa fazer um anúncio importante, geralmente não é ele quem aparece para o público.

Lemann até tentou levar uma vida anônima em São Paulo, onde se estabeleceu por conta de suas empresas. Ele podia ser visto andando de bicicletas nas ruas paulistanas ou indo comprar o café da manhã de seus filhos, na padaria mais próxima à sua residência. Porém, essa é uma que não se repete há quase 20 anos: Lemann, sua esposa e seu filho mais novo mudaram-se para um vilarejo próximo a Zurique depois que o carro onde três dos seus cinco filhos estavam sofreu uma tentativa de sequestro relâmpago, em 1999.

Agora, morando em um dos cantões suíços onde o idioma falado é o alemão, Lemann é proprietário de uma casa às margens de um lago, numa vasta área arborizada e isolada da rua por um muro. A paisagem destoa das casas vizinhas que não possuem qualquer tipo de proteção, dada à segurança e à vida pacata que se leva no local.

Apesar do reforço na segurança, porém, a rotina do helvético-brasileiro não é muito diferente da de seus vizinhos. Acordando religiosamente às 5h30 e dormindo sempre antes das 22h, Lemann costuma comer frutas e tomar sucos no café da manhã. No almoço e no jantar, ele opta por legumes, grãos, carnes magras e água mineral. No intervalo entre as refeições, mais frutas ou barrinhas de cereais. Talvez a única coisa que não combina com sua dieta sejam as bisnaguinhas macias do tipo egg sponge. Nem a elas, no entanto, cabe exagero, pois ele se orgulha de manter o mesmo peso de quando tinha 17 anos.

A jornalista Cristiane Correa conta no livro “Sonho Grande”, lançado em 2013, a história dos três sócios do 3G Capital. Essa é a principal fonte de informação sobre a vida de Lemann. Num dos trechos, a autora destaca que a Jorge Paulo cabe o hábito de deixar que suas ações falem por si só. E é por isso que, além de construir uma fortuna, Lemann também ergueu uma reputação de admiração por parte de seus pares e funcionários. Para tanto, a filantropia, é claro, também ajudou.

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Certa vez, Lemann chegou a declarar que “não gosta de gastar dinheiro. Apenas com filantropia”. Para fazê-lo, no entanto, Lemann nem precisou esperar sua fortuna atingir os patamares atuais estimados em US$ 23 bilhões. Ele começou a cuidar do próximo em 1991, quando fundou a Fundação Estudar.

A organização sem fins lucrativos tem como objetivo financiar bolsas de estudo para cursos de graduação e pós-graduação para aqueles que demonstrarem real interesse de transformar suas vidas. O primeiro bolsista da Fundação Estudar foi Carlos Brito, que atualmente é o CEO da AB InBEv.

Por meio da Fundação Estudar de Jorge Paulo Lemann, cerca de 15 milhões de jovens já tiveram acesso aos portais virtuais de ensino e aos melhores cursos presenciais no Brasil e no exterior sem terem de desembolsar nenhum centavo ao longo de quase 30 anos.

Mesmo após o sucesso da Fundação Estudar, a preocupação de Lemann com a educação continuou. Ciente de que o processo até a graduação pode ser mais difícil do que deveria, o empresário criou também a Fundação Lemann. Nessa ONG, o foco é melhorar a educação pública do País. Atualmente, a fundação tem oito projetos em andamento como o Aprenda Online, a Khan Academy, o Programê, o Youtube Edu e o Geekie. Há, ainda, o investimento em professores que estejam dispostos a fazer cursos de aperfeiçoamento para melhorar o aprendizado dos jovens tutelados por eles.

Além das fundações Estudar e Lemann, a paixão do empresário e investidor pelo esporte também se transformou em filantropia com a criação do Instituto Tênis. Pessoas próximas revelam que o bilionário tem como desejo e meta pessoal a descoberta de jovens que podem se tornar jogadores aptos a competir em nível mundial, assim como ele fez ao longo da década de 1960. Mas o Instituto Tênis trabalha com a missão de, por meio do incentivo ao esporte, contribuir para que os jovens se mantenham focados em seus objetivos e longe do crime e das drogas.

Por fim, o lado empresarial de Lemann também ganhou espaço no seus projetos filantrópicos e, assim, ele se tornou um dos conselheiros da Endeavor Brasil. A organização criada para incentivar o empreendedorismo de alto impacto e mobilizar o poder público para a criação de um ambiente de negócios mais favorável. A Endeavor trabalha com a missão de fazer o País reconhecido não apenas pela quantidade de empresários, mas também pelo impacto provocado por eles, a exemplo do que o próprio Jorge Paulo Lemann fez ao longo de sua vida.

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