Vai viajar para o exterior? Saiba como encontrar o melhor câmbio

Por Redação IQ 360

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Quando se trata de viagens internacionais, uma das maiores preocupações dos turistas é o câmbio. Isso acontece porque alguns dos países mais procurados pelos brasileiros contam com moedas mais valorizadas do que o real. É o caso dos Estados Unidos (dólar), da Europa (euro), do Japão (iene) entre outros lugares.

Existem algumas medidas que os brasileiros que desejam viajar para o exterior podem adotar para evitar perder dinheiro. Isso porque, além de procurar o melhor câmbio, é preciso ficar atento aos impostos cobrados pelo governo, às taxas cobradas por bancos, corretoras e casas de câmbio e ainda às medidas que podem ser tomadas para evitar tomar golpes ou ser pego desprevenido.

Para ajudar nessa busca pelas melhores cotações, os brasileiros podem contar, agora, com uma série de sites e aplicativos que rastreiam e compilam na internet tudo em um só lugar. Alguns, inclusive, permitem fechar negócio na hora com segurança e ainda receber o dinheiro em casa.

Conheça alguns deles, veja dicas de como conseguir a melhor taxa de câmbio e saiba quais cuidados tomar na hora de comprar moeda estrangeira:

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Como conseguir o melhor câmbio?

Antes que você se assuste com a diferença entre o valor da moeda que está acostumado a ver no noticiário e aquela que você realmente vai encontrar para compra e venda no mercado, é preciso entender por que isso acontece. Para explicar melhor, vamos utilizar o exemplo do dólar.

No caso da moeda americana, existem três tipos de cotação: o dólar comercial, o dólar turismo e o dólar paralelo. Cada um deles serve para um tipo diferente de transação e pode ser encontrado também em lugares diferentes:

O dólar comercial é aquele utilizado nas importações, exportações, investimentos, compras online e também pelo governo e por instituições financeiras para realizar transações digitais. O dólar comercial é apenas uma cotação virtual e nunca vira papel em circulação.

Já o dólar turismo é comprado e vendido fisicamente e, portanto, aquele que viajantes precisam quando procuram cédulas ou moedas para uma viagem internacional. Ele é encontrado em bancos, corretoras e casas de câmbio autorizadas pelo Banco Central a fazer esse tipo de transação.

Por último, existe também o dólar paralelo. Esse é aquele vendido por pessoas e empresas sem autorização dos órgãos monetários – no caso do Brasil, o Banco Central. No geral, ele é vendido entre pessoas físicas sem regulação e, portanto, oferece riscos aos compradores.

Diante disso, o valor que comumente vemos no noticiário é o do dólar comercial. Essa informação é extraída da bolsa de valores que, por comercializar produtos financeiros e commodities, resume a quantidade de moeda estrangeira que entra e que sai do País, ou seja, extrai a cotação do real perante o dólar.

Por não se transformar em moeda de verdade, o valor do dólar comercial sempre fica abaixo do valor do dólar turismo. Isso acontece porque transações digitais são mais baratas do que transações físicas já que as cédulas e moedas precisam ser produzidas, transportadas, armazenadas, protegidas e até asseguradas em caso de roubos, por exemplo. A conta pode parecer inocente, mas quando se trata de montantes gigantescos como os que bancos, corretoras e casos de câmbio operam diariamente, faz uma grande diferença.

Apesar disso, existem lugares em que as cotações de uma determinada moeda são mais vantajosos do que em outras. Assim como no caso da gasolina, por exemplo, a variação de preço de um posto de combustível para outro pode ser pequena (apenas algumas casas decimais, se compararmos postos de uma mesma rua) ou grande (alguns centavos, se compararmos entre cidades, por exemplo). Para obter a maior vantagem, não tem jeito: é preciso pesquisar e comparar.

Para facilitar a vida dos compradores, alguns sites e aplicativos têm se especializado em fazer essas comparações.

Melhor Câmbio

O Melhor Câmbio é uma das ferramentas de pesquisa de cotação mais populares. Disponível também na forma de aplicativo para celular (para sistemas Android e iOS), ele mostra as instituições que negociam câmbio na sua região, começando por aquelas que têm o melhor preço para a moeda desejada no momento da pesquisa. Uma busca para compra de dólares na cidade de São Paulo, por exemplo, apresenta uma lista com mais de 30 instituições.

A ferramenta funciona apenas como um buscador de preços. Não é possível fazer a compra ou a venda da moeda diretamente pelo site. O Melhor Câmbio informa o telefone e o site de cada instituição para que o consumidor entre em contato e conclua a operação. Por isso, há sempre o risco de a cotação no momento da compra não ser exatamente a que foi informada na pesquisa, por causa da instabilidade do mercado de câmbio.

O buscador tem a opção “Faça uma oferta”: o consumidor diz quanto gostaria de pagar e as corretoras avaliam se querem fechar negócio. O site informa quais são as chances da proposta ser aceita e em quanto tempo as corretoras costumam responder. A ferramenta tem um ranking das instituições listadas, que varia de uma a cinco estrelas, conforme a avaliação dos usuários e o número de operações fechadas por cada corretora nos últimos 60 dias. Ela traz detalhes de cada instituição, como o nome completo, se é corretora, banco ou correspondente, horário de funcionamento, quantidade de lojas e localização.

A empresa não possui avaliações no Reclame Aqui e tem uma nota de 3,6 estrelas de usuários do aplicativo para Android.

Câmbio Legal

O próprio Banco Central, órgão do governo responsável por registrar e fiscalizar as instituições que fazem operações de câmbio no País, desenvolveu um aplicativo disponível para Android e iOS chamado Câmbio Legal.

Bem parecido com o Melhor Câmbio, o app do BC nada mais é do que uma versão para celular de uma ferramenta de pesquisa que o BC disponibiliza em seu site oficial desde 2013. Apesar do aplicativo ser a forma mais confiável de descobrir se uma instituição é autorizada ou não a negociar moedas estrangeiras, sua utilidade não passa muito de uma boa fonte de pesquisa. Isso acontece porque o aplicativo e o site do Banco Central não são atualizados com a mesma frequência das demais opções do mercado.

Porém, um diferencial interessante do Câmbio Legal é que além, de disponibilizar todos os dados das corretoras ou casa de ações como telefone e endereço, ele também gera um ranking das instituições com base no Valor Efetivo Total (VET) da transação. Fora o próprio valor da taxa de câmbio, esse cálculo também leva em consideração as tarifas e impostos (IOF) incidentes sobre a operação.

O aplicativo também não possui avaliações no Reclame Aqui e sua nota no Play Store (Android) é de 3,3 estrelas.

Câmbio Store

Já o site da fintech Câmbio Store é uma opção para aqueles que desejam comparar várias corretoras e procurar por moedas diferentes, como o rublo (da Rússia), o yuan (da China) e o shekel (de Israel). No entanto, como a empresa ainda não tem aplicativo próprio, os interessados devem fazer a busca pelo desktop ou pelo próprio navegador do celular.

O diferencial da Câmbio Store é que ela fechou acordo com várias corretoras para oferecer taxas melhores e já fechar o negócio por meio da sua própria plataforma. Outro diferencial é que o usuário também pode vender moeda em espécie, adquirir ou recarregar um cartão de débito pré-pago para usar no exterior ou simplesmente enviar recursos para fora do País. Ao finalizar a operação, o cliente faz uma transferência eletrônica para a conta da corretora indicada e recebe o dinheiro em casa em até 48 horas ou pode retirá-lo no endereço informado pela instituição.

O ponto negativo é que, até para evitar que os usuários fechem negócio por fora da plataforma, a Câmbio Store só fornece as informações da corretora escolhida no final da operação, quando o usuário precisa dos dados bancários para fazer a transferência do dinheiro.

A empresa não possui uma nota no Reclame Aqui e não tem aplicativo disponível na Play Store (Android).

BeeCâmbio

O caso da BeeCâmbio é bem parecido com o da Câmbio Store. No site da fintech, o usuário pode pesquisar as melhores cotações de sua região para a moeda desejada e encontrar alguns preços mais vantajosos por conta dos acordos firmados entre a empresa e as corretoras ou casas de câmbio cadastradas.

Por meio do site, o cliente consegue pesquisar em até cinco corretoras ao mesmo tempo, mas a variedade de moedas estrangeiras disponíveis não é tão grande. Porém, estão presentes as moedas mais buscadas pelos brasileiros, como dólar, euro e libra esterlina.

Com a ajuda da BeeCâmbio, o usuário também consegue comprar e vender moedas em espécie, adquirir ou recarregar cartões de débito pré-pagos e mandar recursos para o exterior. O processo é todo feito digitalmente, o endereço da corretora escolhida só é revelado no final da operação, mas os clientes podem optar por receber o dinheiro em casa, também dentro de um prazo máximo de 48 horas.

A fintech não tem uma nota no Reclame Aqui e também não tem aplicativo disponível na Play Store (Android).

Boa Taxa

Outra empresa que conta apenas com o site para fazer comparações de taxas de câmbio é a Boa Taxa. Na ferramenta disponibilizada pela empresa, os usuários encontram mais de 20 tipos de moedas estrangeiras e podem procurar as melhores cotações mais próximas à sua localização.

Como atrativo, a Boa Taxa oferece a possibilidade de criar um alerta para a cotação de uma determinada moeda estrangeira. Nesse caso, o cliente deve marcar qual moeda estrangeira está procurando, qual é o valor máximo que deseja pagar por ela e se está procurando pela cotação turismo ou comercial.

No fim, é preciso cadastrar o email e até qual data deseja ser avisado. A empresa se encarrega de enviar uma mensagem quando, e se, encontrar uma cotação no valor desejado. Essa é uma boa alternativa para quem não está com tanta pressa para comprar a moeda estrangeira.

A empresa não possui nem avaliação no Reclame Aqui nem aplicativo disponível na PlayStore (Android).

Transferwise

Já a fintech Transferwise promete entregar a melhor cotação de uma maneira bem diferente. Em vez de comprar uma moeda estrangeira pagando taxas e impostos, o site e o aplicativo para Android da empresa cruza pessoas que querem trazer dinheiro estrangeiro para dentro do Brasil com pessoas que querem levar dinheiro para fora. Quando o “match” acontece, a empresa se encarrega de repassar o dinheiro que já está fora para quem precisa do dinheiro fora do País e o dinheiro que está dentro do Brasil para quem precisa do dinheiro aqui dentro.

Imagine o exemplo em que Júlia mora na Inglaterra, ganha em libras, e deseja enviar £ 100 para sua irmã que mora no Brasil. Enquanto isso, Márcio, brasileiro, precisa enviar o equivalente em reais a £ 100 para seu filho que está estudando em Londres. Os apps pegam as £ 100 de Júlia e depositam na conta do filho de Márcio, ao mesmo tempo em que o inverso também ocorre: pegam os reais que equivalem a £ 100 da conta de Márcio e depositam na conta da irmã de Júlia. Dessa forma, as transferências ocorrem dentro dos países.

O app funciona muito bem para quem deseja fazer uma compra ou enviar uma remessa internacional, mas para o turista que deseja apenas viajar, o aplicativo só funciona se ele tiver alguém de confiança no exterior para receber seu dinheiro. Além disso, a cotação de cada moeda é definida pelo próprio aplicativo e pode não ser tão vantajosa quanto a de outras corretoras. O cálculo, nesse caso, precisa levar em consideração o dinheiro economizado com impostos.

A empresa tem uma avaliação excelente no Reclame Aqui, com nota de 8,5. E o aplicativo para Android tem avaliação igualmente excelente, de 4,6 estrelas.

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Como pagar menos impostos e taxas no câmbio?

Além da melhor cotação na casa de câmbio, o turista que deseja adquirir uma moeda estrangeira também precisa ficar atento aos impostos que serão cobrados na transação.

No caso da compra de uma moeda estrangeira em papel moeda, o governo brasileiro cobra o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A alíquota para esse tipo de transação era de 0,38%, mas subiu, em março de 2017, para 1,1%. Dessa forma, todos que comprarem moedas estrangeiras no Brasil precisam levar em consideração, além da cotação, o valor que será deduzido em impostos.

Apesar disso, se opções como a Transferwise não forem confiáveis o suficiente para você, comprar dinheiro em papel ainda é uma opção mais vantajosa do que usar o cartão de crédito. Isso porque o IOF cobrado sobre cartões de crédito, débito e pré-pago, assim como cheques utilizados no exterior, é de bem maior: 6,38%. Nesse caso, os cartões só são recomendáveis por segurança e quando o limite que se deseja gastar é superior aos R$ 10 mil permitidos pela Receita Federal para o turista portar como dinheiro vivo durante uma viagem ao exterior.

O governo, porém, também mudou uma regra recentemente que promete ajudar os turistas brasileiros interessados em viajar para o exterior ou simplesmente fazer importações. Foi determinado que, a partir de 1º de março de 2020, os bancos deverão utilizar a cotação da moeda estrangeira do dia em que ela foi utilizada e não mais a da data de fechamento da fatura, como era comumente realizado pelas instituições financeiras, ou qualquer outro critério de cobrança. Esse fato ajudar os consumidores a terem uma previsibilidade maior de seu gastos.

De qualquer forma, os interessados devem ficar atentos a outro aspecto: no caso da moeda estrangeira utilizada não ser o dólar americano, é precisa saber que a moeda será convertida primeiro para o dólar (que é utilizado como âncora da nossa taxa de câmbio) e só depois para o real. Sendo assim, para calcular exatamente quanto você pagará na fatura do seu cartão por uma compra realizar, por exemplo, em euro, é necessário converter o euro para o dólar antes de converter o dólar para o real.

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Quais cuidados tomar com o câmbio?

Além das técnicas para tentar economizar um pouco com as transações de moedas estrangeiras, os brasileiros devem tomar alguns outros cuidados para evitar cair em golpes ou serem pegos desprevenidos em algumas situações.

Confira se a instituição é autorizada pelo Banco Central

Os cuidados começam por evitar o mercado paralelo e certificar-se de que a instituição financeira que está fornecendo o dinheiro é autorizada pelo Banco Central do Brasil. Atualmente, há 188 bancos e corretoras autorizados a realizar câmbio no Brasil e a consulta pode ser feita pelo próprio site do BC. Além delas, há cerca de outras 3.000 casas de câmbio autorizadas pelo Banco Central a fazer transações. Elas estão localizadas em shoppings, aeroportos, rodovias e pontos centrais das grandes cidades. Porém, as casas de câmbio só podem fazer operações com limite máximo de US$ 3 mil (ou o equivalente em outra moeda), por pessoa.

Não compare só a taxa de câmbio, considere tarifas e impostos

Um erro comum entre os turistas internacionais de primeira viagem é considerar apenas a taxa de câmbio na hora de fazer a conversão entre moedas. Como já dissemos, existem taxas e impostos que incidem sobre a operação financeira e que podem variar de caso para caso. Por esse motivo, às vezes, apesar da cotação de um determinado local ser melhor que a de outro, o saldo final da operação não é melhor. Dessa forma, a recomendação do Banco Central é checar sempre o Valor Efetivo Total (VET) da operação. Todas as instituições credenciadas pelo BC são obrigadas a informar o VET em suas transações.

Confira o frete e o prazo de entrega se comprar online

Se você optar por fazer uma operação por meio de um dos aplicativos ou de sites, seja ele de intermediários ou das próprias corretoras, fique atento ao prazo estipulado para receber a quantia e se algum valor será cobrado pelo frete. Assim como no caso das taxas e impostos, a quantia cobrada para entregar no endereço desejado pode fazer com que uma outra opção (com frete zero) seja mais interessante. Além disso, caso você esteja comprando em cima da hora, se o prazo for muito extenso, você pode acabar ficando sem o dinheiro para viajar.

Evite comprar fora de dias úteis e em aeroportos

Apesar de o mercado financeiro só ficar aberto em dias úteis, a transação de moedas estrangeiras (no caso do turismo) não pode parar. Por esse motivo, muitas corretoras e casa de câmbio atendem clientes nos finais de semana e nos feriados. No entanto, caso um evento aconteça entre o momento da operação e a reabertura do mercado (quando ela novamente terá liquidez para trocar suas moedas), muitas delas embutem um prêmio de risco e acabam cobrando mais caro nesses dias.

Outro fator que faz a cotação variar é a raridade das opções de oferta. Muitos brasileiros deixam para trocar o real pela moeda estrangeira desejada já no país visitado para evitar pagar o IOF e acabam sendo surpreendido por taxas, produtos e serviços que só podem ser pagos em moeda local já no aeroporto. Lá, sem opções, acabam pagando mais caro por ter a moeda. Se tiver condições, espere até chegar no centro da cidade, onde haverá mais concorrência e, portanto, uma chance maior de conseguir uma cotação melhor.

Não compre tudo junto

Por último, seja por uma questão de segurança ou de investimento, no caso da compra de moedas estrangeiras, a melhor opção nunca é apostar tudo em uma única opção. Se você tem tempo até a próxima viagem e não faz a menor ideia de como a cotação da moeda desejada irá flutuar nesse período, compre aos poucos. Assim você paga uma média dos valores cobrados no período e minimiza o risco de comprar tudo o que precisa em um dia ruim.

Da mesma forma, se você for viajar, nunca conte apenas com uma modalidade de pagamento. Além de muitos lugares não aceitarem cartão e outros não aceitarem dinheiro, imprevistos acontecem. Se você tiver opções variadas de pagamento, não será pego desprevenido.

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